Quais vão ser os perfis dos profissionais do futuro?

Mais de 40 mil visitantes são esperados na Qualifica, a feira de Educação, Formação, Juventude e Emprego, que até domingo decorre na Exponor

New Jobs, More Freedom é o mote deste ano na Qualifica, a feira de Educação, Formação, Juventude e Emprego que, nesta sua 12ª edição, reúne na Exponor, em Matosinhos, mais de 120 expositores. Esperados são mais de 40 mil visitantes, na sua grande maioria jovens a partir dos 15 anos, aos quais a Qualifica pretende apresentar os novos perfis e mentalidades procuradas pelo mercado de trabalho, muito assentes nas competências pessoais. “Apesar de toda a automatização e robotização da economia, acredito que a nova geração vai marcar uma alteração no mercado de trabalho. Será pela criatividade dos indivíduos que as empresas se procuraram distinguir da concorrência”, diz Oriana Noronha, responsável do evento. António Leite, delegado Regional do Norte do IEFP, destaca a importância da vontade de aprender toda a vida. “Já passou o tempo em que uma licenciatura tirada há 30 anos era suficiente. Hoje, o novo conhecimento torna o anterior obsoleto, pelo que temos de ter uma grande vontade para saber sempre mais. E, claro, aos fortes conhecimentos de base das nossas áreas é preciso, sempre, juntar as chamadas soft skills”, frisa.

A valorização e a dignificação do trabalho, versus o ingresso no ensino superior, habitualmente mais valorizado, é algo que “muito preocupa” o Instituto do Emprego e da Formação Profissional, presença assídua na Qualifica. A instituição procura na feira dar a conhecer aos jovens a sua oferta de cursos ao nível da dupla certificação, que lhes permitem terminar o 12º ano em igualdade de circunstâncias com os alunos dos cursos científico-humanísticos, ou seja, com capacidade de acesso ao ensino superior ou habilitados a integrar de imediato o mundo profissional. E, este ano, tem mesmo um espaço de demonstração de alguns dos seus cursos em algumas das áreas prioritárias para a região, como a metalurgia e a metalomecânica, eletricidade e energia, construção e reparação de veículos, eletrónica e automação, hotelaria e restauração e, claro, a estética e o bem-estar, e nas quais a falta de mão de obra mais se faz sentir.

“É uma forma de os jovens perceberem que estas indústrias têm uma crescente incorporação de conhecimento e de tecnologia, questões a que os mais jovens são muito sensíveis”, diz o delegado regional do Norte do IEFP. Às empresas, diz António Leite, compete “também continuar a melhorar a condições salariais” para que estas profissões se tornem mais atrativas, até porque, defende, “o problema não se resolve só de um lado”.

Da parte do IEFP, a estratégia é a de “manter a oferta” em termos formativos e de “reforçar a capacidade” de chegar aos jovens. Dos 7.500 formandos que nos últimos três anos passaram pelos centros de formação do IEFP, um terço são jovens dos 15 aos 24 anos. O objetivo do Governo é que, em conjunto com os cursos profissionais da responsabilidade do Ministério da Educação, esta área de ensino possa abranger metade dos jovens. Uma meta que está próxima, diz António Leite, que destaca o elevado grau de empregabilidade destes cursos, alguns dos quais ministrados nas empresas. É o caso da Salvador Caetano que, há mais de 30 anos, realiza nas suas instalações estes cursos, quer na sua componente prática quer teórica.

Por outro lado, o responsável pelo IEFP a Norte destaca, ainda, a importância da requalificação dos trabalhadores, lembrando que, apesar do crescimento económico e das queixas das empresas da falta de mão-de-obra, há, ainda, cerca de 140 mil inscritos nos centros de emprego da região. “Fizemos um caminho extraordinário nos últimos três anos, mas é preciso fazer mais para melhorar os índices de empregabilidade dos menos jovens e das mulheres. Não podemos desperdiçar pessoas com 45, 50 ou 60 anos, não é razoável nem justo. Temos de os requalificar e de lhes dar as ferramentas para que possam ingressar, de novo, no mercado de trabalho”, defende. O que passa por uma “mudança de perceção” das próprias empresas quanto aos trabalhadores e à sua idade.

Também a Universidade do Porto marca presença na Qualifica, destacando a sua oferta de licenciaturas e mestrados integrados. “Mas uma das forças da Universidade do Porto é, precisamente, a diversidade e a abrangência da sua oferta formativa. Com 14 faculdades e 52 licenciaturas e mestrados integrados, dispomos de cursos em praticamente todas as áreas de estudo e é assim mesmo que nos queremos apresentar na Qualifica”, diz Raul Santos, diretor de comunicação e imagem da UP.

Sobre os novos perfis e mentalidades procuradas pelo mercado de trabalho, o responsável da universidade reconhece que “é inegável que o mercado de trabalho está a sofrer profundas alterações que se irão refletir nos percursos profissionais dos graduados universitários”. E, por isso, a Universidade do Porto tem apostado em oferecer aos seus estudantes “uma série de programas extracurriculares de desenvolvimento de competências pessoais e profissionais que mais se adequam às atuais exigências do mercado de trabalho”. Desde ações de formação em soft skills até projetos de promoção e apoio ao empreendedorismo, passando pela organização de feiras de emprego que colocam os recrutadores em contacto direto com os estudantes, a Universidade do Porto procura colocar à disposição dos seus estudantes “um vasto conjunto de ferramentas que lhes permite encarar o futuro no mercado de trabalho com maior confiança”.

Dirigida a estudantes, encarregados de educação, profissionais dos setores da educação e educadores sociais, a Qualifica conta com um vasto programa de atividades que inclui desfiles de moda, atuações de dança e workshops de artes criativas. O certame reúne uma vasta oferta de ensino, formação e saídas profissionais, apresentadas por universidades públicas e privadas, centros de formação profissional e instituições públicas de educação e formação. Há, ainda, várias entidades presentes com processos de recrutamento ativos, como as Forças Armadas, a PSP, a GNR, a Cesifarma ou a European Multi Talent Group Health Care BV.

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