sacos plásticos

Consumo de sacos plásticos caiu 95% com a nova taxa

Fotografia: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens
Fotografia: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

Contribuição que colocou cada saco a custar dez cêntimos ajudou a fazer cair o consumo e até a produção destes materiais.

Um ano depois da introdução da taxa sobre sacos plásticos, governo e Agência portuguesa do Ambiente (APA) não têm dúvidas: os hábitos dos portugueses tornaram-se mais verdes.

Desde que há um ano foi criada, a contribuição que colocou cada saco plástico leve a custar 10 cêntimos levou a uma redução de 94% no seu fabrico e de 95% no seu consumo face a 2014, mostram dados coletados pela APA, entre janeiro e outubro de 2015, e cedidos ao Dinheiro Vivo. Constata-se, por isso, diz a agência “que houve uma redução significativa do fabrico de sacos de plástico leves em 2015 face a 2014, bem como da disponibilização de sacos de plástico leves ao consumidor/cidadão pelo setor da distribuição”.

O governo de Passos Coelho, que fez nascer a medida, esperava que cada português descesse a sua utilização de sacos para apenas 50 sacos em 2015. A justificar a medida estavam boas práticas já observadas em países como os Estados Unidos ou Irlanda, onde o consumo caiu a pique. As contas a este número ainda são difíceis de fazer, mas também o ministério do ambiente fala em reduções no consumo de sacos plásticos leves na ordem dos 90%, a partir da informação que já lhe foi chegando.

Na Maxmat, a diminuição no consumo de sacos plásticos leves foi de 97,4% no último ano; na Norauto a queda foi de 97,2%, a Calzedonia cortou em 95,6% e no Aldi a quebra foi de 91,9%. A Fnac, por seu lado, sentiu uma redução de 83,6% no número de sacos vendidos, mostra o ministério.

Não se sabe, no entanto, “os setores nos quais foi mais evidente a redução do consumo de sacos leves”, afirmou fonte oficial do ministério do Ambiente ao Dinheiro Vivo.

A contribuição que nasceu com a reforma da fiscalidade verde aplica-se unicamente a sacos plásticos leves. E, para estes, toda a cadeia de valor paga a devida contribuição: os retalhistas passaram a comprar sacos aos seus fornecedores com taxa e a cobrar com taxa aos clientes.

No entanto, a introdução da medida foi menos pacífica do que se esperava e, a maior parte dos retalhistas adoptou práticas diferentes. Em vez de sacos plásticos leves, muitos, passaram a adquirir sacos plásticos de maior espessura e outras alternativas mais verdes, como sacos de papel, ou grandes sacos reutilizáveis.

Com esta mudança, toda a cadeia foi influenciada: o mercado produziu menos sacos plásticos leves – de espessura inferior a 50 mícrons -; foram colocados menos à disposição dos consumidores e, estes, consequentemente levaram menos sacos para casa. Como consequência, a receita esperada também ficou aquém do orçamentado.

Os cofres públicos receberam 1,5 milhões de euros com a taxa, em vez dos 40 milhões de euros previstos para esta medida na reforma da fiscalidade verde. E, perante a quebra, o ministério do Ambiente já só antecipa, para 2016, uma receita de 200 mil euros com esta contribuição.

“Esta diferença entre a receita prevista e a receita real deve-se à alteração das especificações técnicas dos sacos comercializados que deixaram de estar abrangidos por essa categoria”, afirmou ao Dinheiro Vivo, fonte oficial do ministério do Ambiente.

Mesmo assim, o Governo confirma que todos os sacos – os abrangidos pela taxa, os mais grossos escolhidos pelas retalhistas e os sacos do lixo – são hoje menos utilizados do que há um ano.

“A evolução do consumo de sacos plástico leves, sacos com espessura superior a 50 µm, sacos reutilizáveis e sacos do lixo entre 2014 e 2015, podemos afirmar que se verificou uma redução significativa da utilização de sacos de plásticos leves, com a opção por sacos de maior espessura, concebidos para permitirem reutilizações sucessivas”, diz fonte oficial do Ambiente.

Sílvia Bandeira, professora da IPAM – Marketing School, observa nestes valores um aumento da consciencialização dos portugueses em torno de matérias ambientais. “Cada vez mais o consumidor português tem uma grande preocupação com a sustentabilidade do planeta e está consciencializado para a sua proteção”, afirmou ao Dinheiro Vivo.

É que “no início houve uma certa relutância, mas o aparecimento dos sacos reutilizáveis, os sacos de papel e os sacos de plástico mais resistentes, conduziu à alteração dos hábitos por parte do consumidor”, diz a especialista em consumos verdes.

 

 

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