Eurobarómetro

Quase dois terços dos portugueses dizem que “a economia está mal”

António Costa, primeiro-ministro. Fotografia: ANDRÉ KOSTERS/LUSA
António Costa, primeiro-ministro. Fotografia: ANDRÉ KOSTERS/LUSA

Maior preocupação é com o desemprego. Quanto ao futuro próximo, a confiança é maior: 45% acha que a situação económica ficará “melhor”.

Quase dois terços dos portugueses (cerca de 64%) inquiridos no âmbito do Eurobarómetro da Comissão Europeia consideram que a economia nacional “está em má situação”. A maior preocupação das famílias é, de longe, com o desemprego. Mas quanto ao futuro próximo, a confiança parece ser maior: 45% acha que a situação económica vai ficar “melhor”.

As 1089 “entrevistas presenciais” feitas a portugueses neste estudo de opinião aconteceram entre 20 e 29 de maio, já depois de se saber que a economia estava a crescer 2,8% no primeiro trimestre (melhor registo em quase 20 anos), de se saber que o desemprego tinha baixado para 10,1% da população ativa (melhor registo desde finais de 2009) e de nesses dias a Comissão Europeia ter recomendado o encerramento do Procedimento por Défice Excessivo que pendia sobre Portugal.

A opinião da maioria dos portugueses inquiridos também contraria o otimismo crescente que tem sido ventilado pelo governo nos últimos meses.

Os maiores problemas do país, segundo os portugueses

No campo da economia nacional, a maior fonte de preocupação dos inquiridos é, sem sombra de dúvida, o desemprego.

Os entrevistadores do Eurobarómetro quiseram saber quais os dois maiores receios dos portugueses. 51% das respostas visaram a falta de trabalho, lidera claramente o ranking.

A segunda maior preocupação (26%) é a situação económica em geral e logo a seguir vem “o aumento do custo de vida” e o volume da dívida pública (19%).

Os assuntos que geram menos preocupações aos entrevistados nacionais são: habitação (2%), imigração (2%), ambiente e clima (2%), terrorismo (3%), crime (4%) e sistema de educação (6%).

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Quando questionados sobre quais as principais questões que estão por resolver, mas a nível da União Europeia, os portugueses desviam-se pouco dos grandes temas mediáticos internacionais: 46% das respostas apontou para “terrorismo” e 23% “o estado das finanças públicas dos países membros da UE”. A imigração preocupa 23%.

No entanto, há aspetos positivos neste inquérito da primavera. Embora, como referido, 64% dos portugueses considerem que a situação da economia nacional seja má, essa proporção melhorou muito face há seis meses. Na altura 84% tinha má opinião sobre a economia, indica o estudo da Comissão.

Do mesmo modo, atualmente um terço (33%) dos portugueses considera que o estado da economia é “bom”, quando no outono só menos de metade (15%) achava isso.

De notar ainda que, embora o receio relativamente ao mercado de trabalho e ao estado real da economia prevaleça, 61% dos inquiridos, a maioria, considera que a sua situação financeira familiar está “boa”. 35% diz que está “mal”. A média da União Europeia é mais positiva. 70% diz que o orçamento familiar está ok; 27% diz o contrário.

Quanto ao futuro, também há uma nota de esperança. 40% dos inquiridos acredita que a situação do mercado de emprego nacional pode “melhorar”, mas 45% diz que vai ficar tudo na mesma e 7% teme uma degradação da situação.

Já a confiança na sua própria situação laboral é mais débil entre os entrevistados portugueses. Apenas 24% considera que o seu posto de trabalho trará melhorias; 60% pensa que tudo ficará na mesma. Apenas 4% espera uma deterioração nos próximos 12 meses face à situação atual.

Portugueses bem mais otimistas com a UE. Europeus também

Com base neste novo inquérito, Bruxelas questiona-se mesmo se não estaremos a viver “uma primavera europeia”. Foram feitas cerca de 22 mil entrevistas individuais no espaço da União Europeia (UE), entre os dias 20 e 30 de maio de 2017.

Os “aumentos mais significativos” nos níveis de otimismo quanto ao futuro da União “podem ser observados em França (55 %, +14 pontos percentuais desde o último outono), na Dinamarca (70 %, +13) e em Portugal (64 %, +10)”.

A nível geral, “a maioria dos cidadãos europeus (56 %) mostra-se otimista quanto ao futuro da UE — um aumento de seis pontos percentuais em relação ao outono de 2016”.

“Cerca de três quartos dos inquiridos [na zona euro] apoiam o euro (73 %, +3 pontos); este é o resultado mais elevado alcançado desde o outono de 2004. 80 % ou mais dos inquiridos apoiam o euro em seis países: Eslováquia, Alemanha, Estónia, Irlanda, Eslovénia e Luxemburgo”, aponta o estudo.

Em Portugal, o apoio à moeda única também é significativo: 74% a favor, 21% contra e 5% dos inquiridos sem opinião. A parcela dos portugueses que apoiam ao euro não teve qualquer variação face ao outono; mas a percentagem de descontentes caiu ligeiramente. Era 23% há seis meses.

(atualizado às 17h15)

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