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Quebra do mercado chinês penaliza cerveja nacional

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Guerra comercial das multinacionais faz cair para metade as importações chinesas. Total das exportações nacionais no valor mais baixo da década

A China está em vias de perder o lugar cimeiro no ranking dos principais mercados de destino das cervejas portuguesas. Uma liderança conquistada em 2016, por força da crise no mercado angolano, mas que está em risco, fruto da guerra comercial decretada pelas grandes multinacionais do sector à cerveja portuguesa no país mais populoso do mundo. E as exportações nacionais já se ressentem: em 2018, venderam-se menos quase 30 milhões de litros para a China, o que fez perder 27 milhões de euros. Uma quebra de 44,3%. Nos dois primeiros dois meses do ano a situação agravou-se e a quebra é de 54,8%.

“Em 2017, a primeira marca estrangeira mais importada pela China, em volume, foi portuguesa. E isso atraiu a atenção dos gigantes mundiais e originou alterações de preços porque este é um mercado que é estratégico para todas as empresas no mundo e não é fácil para as marcas nacionais combaterem da mesma maneira, até porque não têm poderia económico para entrar em guerras comerciais com as grandes multinacionais”, explica o secretário-geral dos Cervejeiros de Portugal – Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja, Francisco Gírio.

A cerveja representa 75% do total de consumo de álcool na China, torna-a o maior mercado de cerveja do mundo, com um consumo de mais de 45 mil milhões de litros ao ano, o dobro dos Estados Unidos e cinco vezes mais do que a Alemanha, o líder a nível europeu. Um estudo da comissão europeia destaca que as importações de cerveja têm crescido a dois dígitos nos últimos anos atingindo os 750 milhões de dólares em 2017 (cerca de 667 milhões de euros). Três em cada quatro cervejas importadas são europeias. A AB Inbev líder mundial do sector, é um dos gigantes que mais tem procurado reforçar a sua posição na China. Mas não só. A Heineken, dona da Sagres, comprou, o ano passado, 40% da maior cervejeira local, a China Resources Beer, e a Carlsberg, acionista da Super Bock, anunciou, esta semana, a conclusão de uma fábrica na província de Jiangsu, num investimento de 17 milhões de euros. As estimativas apontam para que o mercado chinês valha mais de 700 mil milhões de yuan em 2021, ou seja, qualquer coisa como 93 mil milhões de euros.

Espanha a crescer
Apesar do sector ter conseguido crescer noutros mercados e reduzir o impacto global desta situação, a verdade é que as exportações nacionais de cerveja caíram o ano passado 17,5% para o valor mais baixo da década: 129,6 milhões de euros. E este ano continuam. Menos 1,9%. Em compensação, Espanha está a crescer 43,8%, depois de, em 2018, ter reforçado as compras de cerveja portuguesa em 2,87%.

Números que Francisco Gírio considera serem, ainda, muito preliminares para avaliar o que será o resto do ano. “É demasiado cedo, estamos a fazer o nosso caminho e os primeiros meses correram bem no mercado interno”, diz.

Recorde-se que o sector cervejeiro em Portugal, dominado pela Central de Cervejas e pelo Super Bock Group, tem uma produção anual de 700 milhões de litros e uma taxa de exportação que ronda os 25%.

No mercado interno, as vendas de cerveja em 2018 cresceram 0,5%, um valor “positivo” atendendo às condições climatéricas “muito más” durante grande parte do ano. “Tivemos praticamente sete meses de chuva, que durou até à terceira semana de julho, era difícil fazer melhor”, diz Francisco Gírio. Em contrapartida, o mercado havia crescido 8% e 2017, “acima das expectativas”.

 

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