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Queda do BES tira 25 mil milhões de euros à economia

( Vítor Rios / Global Imagens )
( Vítor Rios / Global Imagens )

O impacto da resolução do BES na economia portuguesa vai atingir os 14% até 2021, segundo uma investigação de José Poças Esteves e Avelino de Jesus.

As perdas totais da resolução do Banco Espírito Santo (BES) para a economia portuguesa atingirão os 14% do Produto Interno Bruto (PIB) num período de sete anos, que termina em 2021. A conclusão é de uma investigação divulgada no livro Caso BES – O impacto da Resolução na Economia que estima que a perda de emprego provocada pela medida atingirá os 42.800 postos de trabalho. A investigação alerta para o facto de a resolução do BES ter afastado a banca nacional das empresas.

O livro, da autoria de Avelino de Jesus, professor de Política Económica do ISEG, e José Poças Esteves, fundador da SaeR, agência de rating portuguesa, será apresentado no próximo dia 27 de fevereiro, e conta com prefácio de Eduardo Catroga, que foi disponibilizado em primeira mão ao Dinheiro Vivo.
A obra resulta de um estudo académico sobre as consequências económicas da resolução do BES e segue-se a outro livro dos mesmos autores publicado em 2015, Caso BES: A Realidade dos Números, que analisou o impacto da grande crise financeira de 2008 na situação económica e financeira do BES e do GES.

Este novo estudo, que surge três anos e meio após a decisão de resolução, tem por objetivo avaliar o impacto macroeconómico da queda do banco sobre a economia portuguesa.
“A conclusão principal do livro é que a resolução do BES não foi um episódio menor e passageiro, rapidamente absorvido pela economia portuguesa”, afirma Eduardo Catroga, gestor e ex-ministro das Finanças, no prefácio. “Pelo contrário, teve um efeito relevante e duradouro no PIB e no emprego. Por outras palavras: a resolução do BES representa um episódio maior, de natureza negativa, nas condições do crescimento português por um longo período que é precisado em, pelo menos, sete anos [2015 a 2021]”.

Segundo a investigação, a perda do PIB devido à resolução do BES é de 600 milhões de euros em 2015, correspondendo a 0,36% do PIB efetivo do ano. Em 2016, a perda sobe para 1.100 milhões de euros, representando 0,6 % do PIB. “As perdas totais crescem nos anos seguintes devido ao efeito acumulativo”, refere o prefácio. No ano de 2017, as perdas de PIB são de 1,3%, ou 2,3 mil milhões de euros, atingindo 3,9% em 2021, ou seja, 7,2 mil milhões de euros.
Quanto à perda de emprego provocada pela resolução, é de 3.700 pessoas – 0,1% do emprego total, em 2015, e de 10.100 pessoas – 0,2%, em 2016. “A permanência dos efeitos negativos da resolução provocará, nos anos seguintes, a acumulação de perdas de emprego, que atingirão 36.200 pessoas – 0,8%- em 2020, e 42.800 – 0,9%- em 2021.

De costas para as empresas
Segundo a investigação, a ausência de uma banca de base nacional, internacionalizada e de grande proximidade e envolvimento com as empresas, tem consequências negativas de grande monta para a economia portuguesa. “Os resultados evidenciados pela investigação mostram que o BES era um banco especial – isto é, com características únicas e virtuosas -, cujo desaparecimento afetará por muito tempo a capacidade de crescimento da economia portuguesa”, refere Catroga.

O ex-ministro das Finanças destaca que “alarmes recentes, mostrando o desvio do crédito para o consumo e o imobiliário em detrimento do crédito empresarial, parecem confirmar – talvez mais cedo que os investigadores esperariam – os resultados e a argumentação dos investigadores”.
O livro critica o funcionamento do sistema financeiro nos últimos 25 anos, “que relaciona com as baixas taxas de crescimento neste período e, neste contexto, interpreta positivamente o comportamento do BES até à resolução”.

Catroga adianta que “o recente surto de crescimento da economia portuguesa contraria, aparentemente, esta visão”. “No entanto, há que aguardar por mais tempo para concluir”, afirma. “Deve referir se que este surto recente é modesto e insuficiente para a retoma do processo de convergência com a União Europeia”.

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