Ambiente

Ranking Euronext. Ações da Galp e EDP são as “mais verdes” em Portugal

No final de 2018 a Galp anunciou que o consórcio Eni-Galp decidiu abandonar o projeto de exploração de petróleo na costa alentejana, depois do Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé ter mandado suspender a licença de prospeção. 
Fotografia: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
No final de 2018 a Galp anunciou que o consórcio Eni-Galp decidiu abandonar o projeto de exploração de petróleo na costa alentejana, depois do Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé ter mandado suspender a licença de prospeção. Fotografia: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Galp e EDP foram avaliadas com um “A-” para as alterações climáticas. No acesso a água potável, a Galp recebeu nota máxima (A) e a EDP teve um B.

EDP e Galp Energia são as duas únicas empresas portuguesas presentes na short list de empresas europeias que integram o novíssimo índice criado pela bolsa pan-europeia Euronext (da qual faz parte a Bolsa de Lisboa), de acordo com os critérios da organização não governamental CDP – Carbon Disclosure Project – que avalia e seleciona ações bolsistas com base na sua performance em três desafios ambientais: alterações climáticas, segurança no consumo de água potável e desflorestação.

Neste novo ranking – Euronext CDP Environment Eurozone EW -, lançado oficialmente esta quarta-feira pela Euronext em parceria exclusiva com o banco de investimento Goldman Sachs, as melhores 50 empresas da zona euro são avaliadas com uma nota final entre A (máximo) e F (mínimo), integrando a lista empresas como a Siemens, Unilever, Telefonica, L’Oreal, Inditex (dona da Zara), Iberdrola, Endesa, Danone, Caixabank, Bayer, Airbus, Allianz, entre outras.

Quanto às portuguesas Galp e EDP, tiveram ambas como avaliação da CDP a nota “A-” para a questão das alterações climáticas. Já na segurança no abastecimento de água potável, a Galp recebeu nota máxima (A) e a EDP recebeu um B, revelou a organização não CDP governamental ao Dinheiro Vivo.

“O Acordo de Paris e os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável exigem que seja alocado um volume significativo de capital para os projetos e negócios de baixo carbono, segurança no acesso a água potável e proteção das florestas. O lançamento destes dois novos índices é um marco na identificação de um conjunto de ações bolsistas que se destacam das demais nas questões de defesa do ambiente”, disse Laurent Babikian, responsável da CDP Europe, em comunicado.

Além do ranking para a zona euro, a Euronext (que avalia as ações cotadas no índice 300 da bolsa europeia) lançou também esta quarta-feira em simultâneo um índice global – CDP Environment World EW – que engloba as melhores 20 empresas norte-americanas e 20 empresas europeias, de um universo de mais de 400 empresas cotadas na Euronext 500.

De acordo com a CDP, 102 empresas americanas e europeias receberam a nota máxima (A) em pelo menos um dos itens avaliados face às práticas de 2018, entre elas a L’Oréal, Alphabet, Microsoft, ING Group, Diageo, Philips, Danone e Goldman Sachs.

As empresas são assim listadas consoante a sua avaliação ambiental total, que é uma média das avaliações conseguidas pelas suas performances no combate às alterações climáticas, segurança no acesso a água potável e proteção das florestas. Cabe à CDP fazer esta avaliação, com base nas informações mais recentes divulgadas pelas empresas, enquanto organização não-governamental reconhecida pelo seu sistema de divulgação de boas e más práticas de empresas e entidades governamentais.

Em 2018, a CDP avaliou e divulgou práticas ambientais de 7000 empresas no mundo, construindo o mais abrangente ranking de performance ambiental que dá aos investidores uma maior transparência sobre como as empresas gerem os riscos que os seus negócios enfrentam em termos ambientais.

Tendo em conta um contexto político europeu que favorece cada vez mais um sistema financeiro mais “verde”, os dois novos índices – europeu e global – foram licenciados exclusivamente ao banco de investimento Goldman Sachs, para serem usados em produtos financeiros estruturados à venda nos mercados de França, Bélgica, Europa Central e de Leste e Rússia, “permitindo assim uma maior diversificação nos produtos oferecidos aos investidores na Europa”.

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