Recorde nas exportações dos vinhos do Alentejo

Vendas no mercado nacional estão, ainda, aquém do período pré-pandemia. Região quer reforçar o seu posicionamento internacional e tem 70 produtores na Prowein, a feira de referência do setor que arranca neste domingo na Alemanha

O Alentejo fechou 2021 com um valor recorde de exportações, acima dos 69 milhões de euros. No total, a região destinou aos mercados externos 19,7 milhões de litros de vinhos, mais 11,6% do que em 2020, no valor de 69,4 milhões de euros, um acréscimo de 17,5%. O preço médio subiu 5,3%, "o que é francamente bom, com todas as condicionantes a que estivemos sujeitos", diz o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.

Francisco Mateus destaca, ainda, os resultados "muito positivos" das exportações no primeiro trimestre, mas prefere não o quantificar, porque teme que a guerra e as dificuldades logísticas com que as empresas se depararam "venham a deixar marcas nos próximos meses".

Em termos totais, a região vendeu 83 milhões de litros em 2021 - um valor aferido com base na certificação de vinhos, sendo que "ninguém paga os selos se não tiver as garrafas já vendidas", lembra -, mais 3% do que no ano anterior. "Estamos a começar a retomar a normalidade, mas estamos ainda longe de 2019", reconhece o dirigente, lembrando que as quebras na restauração, que em 2020 chegaram aos 70%, ficaram em 2021 pelos 50%. A quebra no turismo é a principal responsável.

"A guerra é motivo de preocupação para toda a gente, bem como o aumento de custos das matérias-primas, que já se sentia no final do ano, mas se tem agravado, a par da inflação", reconhece Francisco Mateus. Mas com a produção a crescer, a região procura diversificar clientes e destinos, de modo a "não estarmos tão dependentes dos desempenhos" do mercado nacional, do Brasil ou de Angola.

"Conseguimos compensar a perda de Angola - valia 15 milhões de euros, o que atiraria as exportações totais atuais da região para os 85 milhões - encontrando mercados alternativos e é esse caminho que temos de continuar. Ou seja, Angola está a retomar, aos poucos, mas não devemos descurar os clientes que entretanto conquistamos", diz. Sobre o Brasil, um mercado que se está a revelar "muito bom", com o efeito cambial a favorecer as exportações, o presidente da CVRA alerta que "não nos podemos deixar iludir, as taxas de crescimento a dois dígitos não se vão manter para sempre".

Rumo à Alemanha
E é para reforçar esta componente internacional, de uma região que exporta 30% do que produz, que 70 produtores do Alentejo estão, a partir deste domingo, na Prowein, a feira de referência do vinho no mundo, que decorre de 15 a 17 de março em Dusseldorf. Destes, 29 vão estar no stand conjunto da CVRA. É a primeira edição da feira alemã desde o início da pandemia, já que os eventos de 2020 e 2021 foram adiados.

"Vou expectante, sobretudo com a questão das máscaras e da covid. Para provar vinho temos necessariamente de tirar as máscaras e estas feiras são o espaço de reencontro dos produtores com os distribuidores e o local certo para encontrar novos compradores", refere Francisco Mateus. A covid, mas, também, porque a própria Prowein estendeu a sua operação à Ásia, onde irá realizar uma feira em Singapura de 5 a 8 de setembro, fazem antecipar que os clientes asiáticos possam escassear na Alemanha.

"Não digo que a feira fica coxa, mas vamos a ver... De qualquer forma, a China tem vindo a diminuir as suas importações de vinho e as nossas vendas para este mercado já não têm o vigor que tinham. Contamos, no entanto, que os compradores americanos, ingleses e do Benelux marquem presença e estes são mercado importante para nós", sublinha este responsável.

Portugal faz-se representar com "a maior participação de sempre", com 410 expositores, o que coloca o país como o "5.º maior expositor do certame", a seguir à Alemanha, França, Itália e Espanha. No total, a feira terá 5650 expositores de 58 países distintos. A ministra da Agricultura visita na segunda-feira os expositores portugueses.

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