Ambiente

Recursos para 2020 esgotavam-se na 2ª se todos vivessem como os portugueses

Problemas na recolha de lixo em Lisboa. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
Problemas na recolha de lixo em Lisboa. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Os cálculos são da organização “Global Footprint Network”. Se cada pessoa do planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, seriam precisos mais dois planetas

Os recursos do planeta para este ano esgotavam-se na segunda-feira, se todos os países consumissem como a média dos portugueses, segundo os cálculos da organização “Global Footprint Network”.

Segundo a organização independente, fundada em 2003, a partir de segunda-feira o país teria de viver a crédito dos recursos futuros.

Os dados sobre a pegada ecológica de Portugal, atualizados pela associação ambientalista portuguesa Zero, em parceria com a “Global Footprint Network”, indicam que, se cada pessoa do planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, seriam precisos mais dois planetas para sustentar as necessidades de recursos.

Assim, a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos, a nível mundial, esgotava-se já na segunda-feira, um dia mais cedo do que em 2019.

E a partir de segunda-feira teriam de ser usados recursos naturais que só deviam ser utilizados no próximo ano.

A Zero frisa em comunicado que os cálculos são anteriores à pandemia de covid-19, que nos últimos meses quase parou o país, e admite que a atual situação poderá colocar a data “um pouco mais tarde”.

“No atual contexto, esta é mais uma oportunidade de reflexão sobre como podemos contribuir enquanto individuais e sociedade, para uma retoma com uma pegada menor. Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). O mais preocupante é que ´dívida ambiental´ portuguesa tem vindo a aumentar”, diz a Zero no documento.

Para reduzir a dívida ambiental portuguesa a associação afirma que o consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) são das atividades que mais contribuem para a pegada e que por isso é nelas que tem de haver intervenção.

Sugere a organização ambientalista que se aposte numa agricultura variada e que valorize os ecossistemas (preservando solos e reduzindo a poluição e uso de água), que se aposte no teletrabalho e nas reuniões virtuais, e que se invista em transportes não poluentes, como a bicicleta.

E propõe ainda que se regulamente no sentido de que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis. “Por exemplo, implementar normas de durabilidade, garantias do direito a reparar e atualizar, de reutilização e reciclabilidade”.

A Zero sugere também, em termos de práticas individuais, a redução da presença de proteína animal na alimentação, o uso de transportes coletivos (ou andar a pé ou de bicicleta) e o consumo de forma mais circular, mudando o paradigma de “usar e deitar fora”.

A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

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