Emprego

“Redes sociais facilitam o executive search”

Lisboa- 11/07/2018 - Fernando Neves de Almeida, presidente da Boyden .
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
Lisboa- 11/07/2018 - Fernando Neves de Almeida, presidente da Boyden . (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Procura de lugares de administração e direção de primeira linha para setor tecnológico deve crescer em 2018, diz Fernando Neves de Almeida.

As redes sociais não são uma ameaça ao executive search, garante Fernando Neves de Almeida, presidente da Boyden Portugal, empresa de pesquisa direta de quadros superiores com escritório em Lisboa há mais de 30 anos. “As redes sociais poderiam parecer uma ameaça. Mas o que o nosso negócio tem mostrado é que não são. Antes pelo contrário: facilita-nos o acesso aos candidatos.”

A metodologia do executive search ou head hunting (caça-cabeças), para usar um termo vintage, assenta na pesquisa direta (ou “caça”) de quadros e técnicos superiores. O objetivo é encontrar candidatos que, à partida, não procuram mudar de emprego, estão satisfeitos e ocupados a construir o seu sucesso onde estão.

No entanto, a fase determinante do trabalho dos consultores de executive search não é o recrutamento, mas a adequação do perfil desses candidatos aos lugares que têm em aberto. “O valor acrescentado do nosso negócio não é ‘descobrir’ pessoas. Isso é fácil”, destaca Fernando Neves de Almeida, em entrevista ao Dinheiro Vivo. O serviço de search pode fazer a diferença na avaliação das pessoas tendo em consideração uma posição em concreto.

Uma questão de encaixe

“Perceber se as pessoas se ‘encaixam’ na cultura organizacional do nosso cliente é algo em que nós somos bons.” E, neste sentido, “ainda não há rede social que faça isso”, defende o líder que foi, em 2017, o sócio internacional com a segunda melhor performance do grupo Boyden, entre 300 sócios, dispersos por 70 escritórios, em mais de 40 geografias. “No final do primeiro semestre deste ano estava em primeiro lugar, o que me deixa muito orgulhoso. Acredito que os 20 e tal anos que levo desta atividade e a minha paixão pelo que faço têm ajudado.”

Em Portugal, onde a Boyden tem marcado lugar desde 1986, registou um crescimento de mais de 40% no ano passado, solidificando a sua presença no ranking de desempenho da rede Boyden World Corporation, lugar apenas ultrapassado pela Dinamarca e pela Finlândia.

A Boyden foi fundada em 1946 por Sidney Boyden em Nova Iorque e, segundo a revista Forbes de 2018, ocupava, pelo segundo ano consecutivo, um lugar entre as dez melhores empresas de recrutamento executivo da América.

Por cá, a que se deve o crescimento no volume de vendas? A procura de quadros superiores tem aumentado? “Temos ganho quota de mercado. Conquistámos novos clientes e os que já eram clientes recrutaram mais.” O balanço que o responsável faz do setor do executive search no nosso país é positivo: “É um setor que tem vindo a crescer, com alguma sustentação. Há mais empresas a acompanhar uma procura crescente.”

Contudo, adverte para o perigo de ser um setor com poucas barreiras à entrada e à saída. “Nem todos os novos projetos são muito credíveis e duradouros, o que, em alguns casos, pode dar uma má imagem da atividade.”

Em Portugal, as posições mais procuradas são as de administração e direção de primeira linha. “Os salários dessas posições não têm evoluído positivamente. Eu diria que houve uma altura em que diminuíram significativamente em algumas empresas e que agora têm-se mantido constantes.”
Consultoria, indústria, retalho, distribuição, tecnologia e e-commerce foram responsáveis pelo crescimento da atividade da multinacional em Portugal. Nestas áreas, a que necessidades foram dar resposta? “Necessidades de substituição e de expansão, ao nível das posições de administração e direções de primeira linha.”

Uma área que nunca chegou a vingar no nosso país é a gestão interina, ou seja, a pesquisa de um gestor por um período de tempo determinado. Estes profissionais temporários apoiam as organizações num projeto ou determinada fase, como restruturações, fusões e aquisições ou o lançamento de um novo produto. “A gestão interina é uma área de negócio onde já tentámos entrar, mas não teve grande aceitação.” “Não creio que venhamos a investir nessa área.”

Neste ano, Fernando Neves de Almeida admite que possa crescer a procura de profissionais para posições ligadas à tecnologia. “Estamos a fazer tudo para conseguirmos um crescimento de dois dígitos.” Acredita que quanto mais evoluído economicamente for um país, mais forte será o seu setor de executive search. Na sua perspetiva, as duas dimensões estão ligadas e uma determina a outra: pessoas bem escolhidas e com perfis adequados às posições em aberto levam a melhores resultados apresentados pelas organizações.

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