Reformados estrangeiros vêm para não pagar IRS, mas gastam no resto

26% dos que jogam golfe são estrangeiros
26% dos que jogam golfe são estrangeiros

O regime fiscal que permite gozar das reformas sem que tenham que pagar qualquer IRS está a atrair milhares de reformados estrangeiros a Portugal. Mas, apesar de não pagarem IRS, consomem. Do imobiliário ao golfe, os operadores portugueses sentem os efeitos positivos do consumo destes reformados.

Leia também: Isenção de IRS atrai reformados estrangeiros a Portugal

A julgar pelo aumento dos pedidos de adesão a este regime fiscal, de 500 em 2012 para 1000 em 2013, o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária não tem dúvidas de que este programa “tem muito potencial” e vai mesmo superar os vistos gold no que toca a trazer estrangeiros seniores para Portugal. Daqui a um mês, adianta Luís Lima, a associação vai publicar um estudo onde se identifica, pela primeira vez, o país de origem de quem compra casas.

Para já, nota o diretor-geral da ERA Portugal, desde 2013 que se regista maior procura por parte de clientes franceses e da comunidade lusófona, sobretudo no último quadrimestre do ano passado. Para além de questões como o clima ou a segurança do país, explica Miguel Poisson, este aumento deve-se, precisamente, aos benefícios fiscais (no caso dos franceses, basta que residam em Portugal 183 dias por ano, mesmo que não seja de forma consecutiva).

É principalmente a zona Centro que tem atraído reformados e investidores, numa lógica de habitação própria e de investimento (comprar para arrendar), diz o responsável. Os números do Chiado e Graça, as lojas da ERA que mais venderam, comprovam esta tendência: mais de metade das vendas registadas pela loja do Chiado no último quadrimestre foram de clientes que vieram de fora de Portugal; na agência da Graça, no conjunto de 2013, 40% dos clientes foram estrangeiros.

Do lado do lazer, também há marcas desta presença. No ano passado, 26% do total de filiados nos clubes de golfe portugueses era de outras nacionalidades, principalmente do Reino Unido e da Alemanha. E, ainda que na classificação por idades não seja feita discriminação por nacionalidade, os números da Federação Portuguesa de Golfe mostram que entre 2007 e 2010, a grande maioria dos jogadores de golfe (59%) tinha mais de 55 anos. Em 2011, essa percentagem caiu para 47%, mas voltou a ganhar a força, passando para 49% em 2012 e 51% em 2013.

Na Marina de Vilamoura, a presença internacional é muito mais forte: 83,6% dos lugares permanentes estão ocupados por estrangeiros com residência em Portugal, sendo a maioria proveniente do Reino Unido e Holanda.

Quem vem não dispensa a saúde. A Espírito Santo Saúde dá conta de que o número de clientes internacionais tem crescido significativamente ao longo dos anos, resultado da oferta alargada de serviços específicos para este segmento e do programa International Patient Services, criado em 2009.

As unidades dos grandes centros urbanos, em particular Lisboa e Porto, têm sido as mais procuradas por estes clientes, destacando-se o Hospital da Luz. Em termos globais, a ES Saúde estima que os clientes estrangeiros nas suas unidades tenham evoluído de cerca de 7 mil em 2009 para cerca de 18 mil em 2013. Só entre julho e agosto de 2013, o Hospital da Luz assistiu cinco mil clientes estrangeiros.

Embora não adiante o número de estrangeiros que recorre aos seus serviços para idosos e reformados, a empresa liderada por Isabel Vaz reconhece ainda que o desenvolvimento de residências sénior vocacionadas para clientes europeus constitui uma potencial oportunidade de mercado para os operadores que tenham vocação e competências para captar este segmento.

Também a HPP Saúde reconhece que são cada vez mais os pacientes internacionais, particularmente no Algarve, vindos, principalmente, do Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos.

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