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Regresso ao passado. Investimento em construção volta a valer mais de 50%

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António Costa, Augusto Santos Silva e Mário Centeno. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

INE. Investimento total subiu 12% no arranque deste ano, ritmo mais alto em 20 anos. É preciso recuar ao ano da Expo98 para ver uma subida tão forte

Mais de metade do investimento total (formação bruta de capital fixo), cerca de 50,2%, foi aplicado em obras e atividades similares no primeiro trimestre deste ano, atingindo o peso mais elevado desde o início de 2015, mostram cálculos do Dinheiro Vivo com base nos novos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

De mesma forma, mais de metade do novo investimento (aumento deste agregado) que entrou no último ano (a preços correntes), cerca de 640 milhões de euros (56,4%), foi em construção. Na legislatura, este setor também é o dominante, tendo absorvido 52,3% do investimento adicional desde finais de 2015.

Os dados para a atividade setorial são consistentes com este ressurgimento da construção, que viveu anos muito complicados (esteve em contração prolongada de 2008 a 2014, tendo sido um dos maiores responsáveis pelo forte aumento do desemprego nos anos da crise da dívida e económica e do ajustamento da troika).

No primeiro trimestre deste ano, a construção registou uma expansão de quase 10% em termos reais, que é basicamente o triplo do crescimento da economia (medida através do valor acrescentado bruto criado pelos oito setores definidos pelo INE), sendo agora a atividade que mais cresce em Portugal.

A exuberância da construção foi determinante para os recordes alcançados no nível do investimento total. O investimento fixo total subiu quase 12% neste arranque de ano e foi a mais elevada dos últimos 20 anos. É preciso recuar ao final de 1998, o ano da Expo/98, por exemplo, para encontrar um acréscimo tão pronunciado (quase 14%, nessa altura).

E contribuiu decisivamente para que a economia portuguesa acelerasse de 1,7% no último trimestre de 2018 para 1,8% no primeiro trimestre de 2019.“O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB aumentou para 4,8 pontos percentuais (p.p.) devido à forte aceleração do investimento”, reiterou o instituto.

“Esta aceleração refletiu sobretudo a evolução das componentes da formação bruta de capital fixo (FBCF) em Construção (12,4%) e em Outras Máquinas e Equipamentos (16,8%)”. O investimento fixo em “Equipamentos de Transporte” manteve um ritmo de crescimento sólido, de 5% nos dois últimos trimestres.

Por seu lado, as exportações aceleraram pouco, para 3,4% nos primeiros três meses de 2019 (0,6% no trimestre anterior). Mas também se “observou uma aceleração expressiva” das importações totais. Estavam a crescer 3,8% no último trimestre e agora já vão em 9,4%.

Fonte: INE

Fonte: INE

“Um potencial muito favorável”

Não obstante o pico evidente na construção, o gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno, defendeu que “a composição do investimento revela um potencial de impacto futuro na economia portuguesa muito favorável”.

O ministro destaca, em particular, “a notável aceleração do investimento, com uma taxa de variação homóloga de 17,8% (7,4% no trimestre anterior), a progressão mais significativa desde 1995” e sublinha que “o valor do investimento é o mais alto desde 2010 em termos reais”.

Este também “atinge o seu valor mais alto de sempre em Máquinas e Equipamento (que não de transporte) e em Propriedade Intelectual”.

“Estes dados traduzem o aumento da confiança na evolução da economia portuguesa”, considera Centeno.

Uma palavra também para as exportações. Apesar de terem crescido apenas 3,4% no primeiro trimestre, as Finanças observam que “o peso das exportações no PIB atingiu 68%, renovando o máximo que havia sido atingido no início de 2018”. O gabinete do ministro diz que é “um sinal da capacidade de resposta das empresas portuguesas às dificuldades” que estão a atrasar o comércio mundial.

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