Barómetro

Empresários preocupados com aumento da dívida pública

Economia portuguesa caiu no início do ano

Quase 200 gestores foram inquiridos para o barómetro económico do instituto Kaizen. A maioria acredita nas previsões de crescimento para a economia

72% dos empresários acredita que as previsões do Banco de Portugal, referentes ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% para 2017 e de 2% para 2018, serão cumpridas. Esta é uma das conclusões da edição de 2017 do barómetro económico do Kaizen Institute.

Há também quem considere que o crescimento do PIB ficará aquém destas previsões (20%) e quem indique (8%) que o mesmo irá superar os valores previstos.

Apesar da confiança nas previsões do Bando de Portugal, a maioria dos gestores mostrou alguma preocupação com o crescimento da dívida pública, em grande parte devido ao aumento do risco do país nos mercados financeiros internacionais.

Ameaças para a economia portuguesa com diferentes origens

Relativamente às ameaças para a economia portuguesa, os presidentes executivos referem que a principal ameaça para a economia portuguesa nos próximos tempos é a falta de confiança na banca (28%), que viu a sua reputação abalada nos últimos anos.

Segue-se a falta de confiança dos mercados externos em Portugal (20%), o endividamento crescente da economia e a estratégia para a recuperação (19%), a emigração e a baixa da natalidade (12%), a forte concorrência das economias emergentes da Ásia (6%), e a subida dos preços no imobiliário, para compra ou arrendamento (6%).

Dívida pública e alternativas ao financiamento bancário

O facto de a dívida pública ter aumentado 9,9 mil milhões de euros no primeiro semestre origina também algumas preocupações, em grande medida (75%) pelo aumento do risco do país nos mercados financeiros internacionais; sendo que 16% revela-se mais otimista, e considera que tal poderá ser preocupante ou não, consoante o impacto que possa ter no investimento público.

Somente 4% dos gestores é que se mostra totalmente otimista e considera o valor não preocupante, face ao crescimento registado no PIB no mesmo período.

Para mais de metade dos empresários (66%), a capacidade de investimento das suas empresas não será afetada em 2018, pelo facto de terem alternativas ao financiamento bancário. A resposta surge no âmbito da questão sobre este tipo de financiamento às empresas, que apresentou decréscimos históricos no primeiro trimestre deste ano.

Não obstante, 24% dos inquiridos considera que a falta deste financiamento poderá reduzir os investimentos empresariais do próximo ano, e 10% indica que não haverá qualquer impacto, uma vez que não têm investimentos previstos.

Crescimento, inovação, digitalização e desafios

Relativamente ao apoio ao crescimento das pequenas empresas, recentemente o Conselho de Ministros aprovou um fundo de 200 milhões de euros com o objetivo de alavancá-las, incluindo as startups, bem como atrair investimento estrangeiro.

Quando questionados acerca do crescimento das startups e das políticas governativas em relação a estas organizações, 55% considera importante a promoção da atração de capital estrangeiro; 28% afirma que o setor privado deve assumir esta dinamização da criação de novas startups; e 12% sublinha a importância do aumento dos fundos de investimento.

O tema da inovação, digitalização e indústria 4.0 continua a reter a atenção dos executivos, sendo que 63% considera um investimento prioritário digitalizar a informação e os processos da empresa. Obter maior conhecimento sobre clientes através da recolha e análise de informação (big data, 38%), e automatizar pequenas tarefas (34%) são também indicadas como prioridades. Há quem indique igualmente a necessidade de integrar a informação de clientes e de fornecedores (25%), aumentar a cibersegurança da empresa (18%), e adquirir ou conceber robots que assumam grande parte do trabalho (13%).

46% dos CEO acredita que contratar e reter mão-de-obra qualificada é o principal desafio dentro da sua organização nos próximos três anos. Criar condições para conseguir preparar a empresa para a transformação digital (42%), bem como expandir o negócio através do incremento da produtividade (36%) surgem no pódio dos desafios.

Mas há mais: aumentar as margens (33%), lançar novos produtos ou serviços (30%), entrar em novas áreas de negócio (14%), obter financiamento (7%), e adquirir novas empresas (6%) são indicados pelos gestores no barómetro.

Também no âmbito do crescimento, os gestores consideram que a perspetiva de aumento do volume de negócios da empresa que gerem, no prazo de três anos, é média para 64% dos inquiridos; alta em 25% das respostas, e baixa para 11% dos inquiridos.

Atualidade e negócios externos

Os presidentes executivos responderam também acerca do eventual impacto do resultado das eleições angolanas no negócio das empresas portuguesas com atividade naquele país. Os resultados deram maioria (61,05%) ao MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola.

Para 68% dos inquiridos, este resultado é uma solução de continuidade, pelo que não preveem alterações; por outro lado, 25% dos entrevistados considera que ao fim de 38 anos haverá uma mudança e será positiva para a economia; 7% afirma que a mudança na presidência dará origem a maior instabilidade política e financeira.

No âmbito do barómetro económico, elaborado pelo Kaizen Institute, foram inquiridos 199 gestores de empresas públicas e privadas que atuam no mercado português, representando mais de 30% do PIB nacional, de setores distintos como a indústria, os serviços, saúde, logística e retalho.

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