Reino Unido, Espanha, França e Itália compram mais de metade da nova dívida portuguesa

Reino Unido saiu da UE, mas foi das geografias com maior interesse na dívida. Emprestou 528 milhões de euros a Portugal, esta quarta-feira.

As instituições financeiras e outras sediadas no Reino Unido, Espanha, França e Itália compraram mais de metade (quase 55%) da nova emissão de dívida de muito longo prazo realizada esta quarta-feira, revelou a agência que gere a dívida pública portuguesa (IGCP).

O trio Espanha, França e Itália ficou com 37,1% dos três mil milhões de euros da Obrigação do Tesouro (OT) que vence em 2052. Ou seja, ficam credores de 1,1 mil milhões de euros junto da República.

O Reino Unido, que acaba de se separar da União Europeia (UE), foi o segundo território (na desagregação feita pelo IGCP) que mais se destacou. As entidades baseadas no reino de Isabel II compraram (emprestaram) 17,6% desta nova linha de dívida portuguesa, cerca de 528 milhões de euros.

A nova OT é o resultado da primeira emissão sindicada deste ano, isto é, uma operação pré-organizada com bancos selecionados para abordar os investidores no mercado global, e irá pagar um cupão de 1% ao ano.

Os bancos que trabalharam em parceria com o Estado português foram Crédit Agricole, Deutsche Bank, Morgan Stanley, JP Morgan, Nomura e Novo Banco.

Nas emissões sindicadas o Estado paga um serviço especial, premium, aos bancos mandatados para colocar a dívida. Esse serviço permite ao país colocar um maior volume de títulos de uma só vez, e uma elevada diversificação da base de investidores, das geografias e também do tipo de investidor.

Este ano, Portugal já fez uma emissão de OT, mas esta foi em mercado aberto (leilão clássico), ou seja, sem um sindicato de bancos por trás.

A 13 de janeiro, a República fez a primeira deste ano, endividando-se em 500 milhões de euros através de obrigações a dez anos. A taxa de juro foi negativa (-0,012%) e a mais baixa de sempre. Nesse dia, o IGCP também emitiu 750 milhões de euros a 15 anos com uma taxa de juro de 0,319%.

Ainda de acordo com a nota oficial do IGCP desta quarta-feira dia 3, agência que é presidida por Cristina Casalinho, o terceiro território que mais apostou na dívida nacional foi o trio Alemanha, Áustria e Suíça.

O tipo de investidor que mais dinheiro emprestou a Portugal nesta primeira emissão sindicada de 2021 foram, como é hábito, os "gestores de fundos de investimento", categoria que foi responsável por 40,7% do crédito concedido. Em segundo lugar, surgem os bancos (públicos e privados) com 32,1%.

As seguradoras e fundos de pensões emprestaram 14,2%.

Os fundos de alto risco (especulativos) ficaram com 4,5% da emissão.

Os bancos centrais (que não o BCE, porque este não pode, por lei, financiar diretamente Estados da zona euro nos mercados) com outros 4,3% do total de três mil milhões de euros.

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