Brexit

Reino Unido vai gastar milhões para ajudar empresas da Irlanda do Norte

Foto: EPA/ANDY RAIN
Foto: EPA/ANDY RAIN

O Governo britânico vai gastar 355 milhões de libras para ajudar as empresas na Irlanda do Norte a lidar com a burocracia provocada pelo ‘Brexit’.

O Governo britânico vai gastar 355 milhões de libras (cerca de 400 milhões de euros) para ajudar as empresas na Irlanda do Norte a lidar com a burocracia provocada pelo ‘Brexit’, anunciaram as autoridades.

Reino Unido e União Europeia (UE) estão a tentar negociar um novo acordo comercial antes de terminar o prazo de transição do ‘Brexit’, que dura até final deste ano, mas algumas questões importantes continuam em aberto, incluindo as regras de concorrência e os direitos de pesca, assim como a situação da Irlanda do Norte.

Os partidários do ‘Brexit’, incluindo o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defendem que deixar a UE será um benefício para as empresas do Reino Unido, mas muitos especialistas não escondem o ceticismo, lembrando que o processo de saída apresenta desafios difíceis para a Irlanda do Norte, que faz fronteira com a Irlanda, membro da comunidade.

Um acordo de retirada entre as duas partes exige que a fronteira quase invisível entre a Irlanda e a Irlanda do Norte permaneça livre de postos alfandegários e de outras barreiras, o que implica novos controlos sobre as mercadorias que circulam entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

O Governo britânico acredita que os prejuízos serão mínimos e quer criar um Serviço de Apoio ao Negociante, para ajudar as empresas da Irlanda do Norte a lidar com declarações alfandegárias e outros documentos envolvidos na importação de mercadorias.

O Governo de Boris Johnson assegura que vai investir até 200 milhões de libras (cerca de 220 milhões de euros) neste esquema, ao longo de cinco anos, e que também vai gastar até 155 milhões de libras (cerca de 170 milhões de euros) em nova tecnologia para o suportar.

Durante uma visita à Irlanda do Norte, o ministro com a pasta dos preparativos do ‘Brexit’, Michael Gove, negou que venha a existir uma “fronteira no mar da Irlanda”.

“As empresas da Irlanda do Norte e o povo da Irlanda do Norte continuarão a ter acesso totalmente irrestrito ao resto do Reino Unido”, disse Gove, apesar de reconhecer que haverá novos processos burocráticos.

Os anúncios hoje feitos pelo Governo incluem ainda 300 milhões de libras (cerca de 320 milhões de euros) para projetos de paz e reconciliação na Irlanda do Norte, em resposta aos que temem que o ‘Brexit’ possa minar o processo de paz, que encerrou três décadas de violência, endurecendo a fronteira com a República da Irlanda.

Apoiantes do ‘Brexit’ dizem que, ao deixar o mercado único da UE, o Reino Unido poderá fazer novos acordos comerciais em todo o mundo, lembrando que há negociações em curso com vários países, como os Estados Unidos e o Japão.

Ainda esta semana, negociadores britânicos e japoneses reuniram em Londres, reconhecendo que estavam perto de um acordo, embora ainda não o tenham fechado.

O Japão é o quarto maior parceiro comercial do Reino Unido fora da EU e as negociações abrangem as difíceis áreas da indústria automóvel e da agricultura.

A secretária de Comércio Internacional do Reino Unido, Liz Truss, disse que os dois lados “chegaram a um consenso sobre os principais elementos de um acordo – incluindo disposições ambiciosas em áreas como digital, dados e serviços financeiros” e acrescentou que esperava poder fechar um acordo ainda em agosto.

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