aviação

Remarcações estão a dar “lucro” à Ryanair

Passageiros são obrigados a pagar novamente taxas de malas e de escolha de lugar, bem como a diferença de tarifa.

Milhares de passageiros afetados pelo cancelamento de 2% dos voos da Ryanair até ao final de outubro estão a ser obrigados a assumir o pagamento de taxas de bagagem e de marcação de lugares que já tinham pago previamente, quando procedem à remarcação das viagens. Alguns são, ainda, confrontados com novas tarifas -muito superiores às que pagaram, ao reservar com antecedência – e os canais de apoio ao cliente da companhia aérea irlandesa têm estado sobrelotados.

“Legalmente, a companhia tem de oferecer a remarcação gratuita dos voos. Já outras despesas, incluindo reservas de hotéis, transferes ou outros serviços que o passageiro fica impossibilitado de usar, não são abrangidos e terão de ser cobertos pelo valor de indemnização”, adiantou fonte do setor ao Dinheiro Vivo. “Tal não sucederia se o voo integrasse um pacote de viagens, protegido por uma agência”, completou.

Assim, as chamadas taxas acessórias cobradas pela Ryanair pela mala de porão, pelo embarque prioritário ou pela escolha do lugar, entre outras, poderão não ser reembolsáveis e estão a ser cobradas novamente a quem remarca um voo cancelado. A marcação de lugar, cujo custo começa em 2€, a multiplicar por 400 mil passageiros afetados, pode render no mínimo 800 mil euros, ajudando a aliviar o impacto das indemnizações a que a companhia não possa escapar. No total, as taxas acessórias renderam cerca de dois mil milhões de euros à Ryanair no ano passado, representando 22% das receitas da empresa.

“Cancelaram-me quatro voos em duas viagens distintas entre o Porto e Londres: uma no dia 25 deste mês, com regresso a 29, e outra de ida a 9 de outubro e regresso a 13. A primeira, tentei remarcar e o sistema dizia-me que a taxa de remarcação e a diferença de tarifa não seriam cobradas até o voo ser confirmado e pago. Perante isto, não avancei. A segunda, nem me deixa remarcar”, testemunhou Diogo Ruão.

Será um “erro do sistema”, admite fonte da Ryanair, e os passageiros podem ser reembolsados. “Temos conhecimento da existência deste tipo de situações e qualquer cliente a quem tenha sido indevidamente cobrada alguma taxa, a mesma ser-lhe-á reembolsada”, respondeu Kenny Jacobs, responsável de marketing da Ryanair, ao Dinheiro Vivo.

O sistema está também a impedir os passageiros de remarcar voos que poderiam, eventualmente, permitir aos passageiros estar nos seus destinos a tempo de algum compromisso, permitindo-lhes viajar mais cedo, por exemplo. De acordo com informação veiculada por passageiros que reclamam assistência na página de Facebook da companhia aérea, “só é possível remarcar voos para datas posteriores ao voo cancelado”. Aquele foi também, praticamente, o único canal de apoio ao cliente que continuou a funcionar depois de milhões de clientes tentarem remarcar, confirmar ou cancelar voos com a Ryanair.

“Todos os nossos serviços de apoio ao cliente estão operacionais”, garantiu fonte da companhia aérea, assegurando que estão a tentar “dar resposta o mais rapidamente possível a todos”.

Quem foi afetado por estes cancelamentos de começar por exigir a compensação devida junto da companhia aérea, acedendo à página específica para o efeito, aqui, ou enviar o pedido para Ryanair, Customer Services Dept., P.O. Box 11451, Swords, Co. Dublin, Ireland, invocando a diretiva europeia 261 e juntando os dados da reserva e o motivo invocado para o cancelamento. Se não obtiver resposta em seis semanas ou se não concordar com a mesma, deverá encaminhá-la para a Autoridade Nacional da Aviação Civil (passageiros@anac.pt).

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