Energia

REN avisa: Política governamental mais agressiva no solar pode impactar tarifas

Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Em 2019 vão estrear 19 novas centrais solares em Portugal. A REN avisa que pode ter de investir mais nas redes e isso faz subir as tarifas.

João Faria Conceição, administrador executivo da REN – Redes Energéticas Nacionais alertou esta quarta-feira que “um programa agressivo de aposta na energia solar”, tal como o que está neste momento em curso, com 19 centrais solares fotovoltaicas programadas pelo governo para entrar em produção já em 2019, pode “exigir um maior investimento da REN, o que poderá ter impacto nas tarifas” finais aos consumidores. Até 2021 serão 38 as novas centrais solares em Portugal, segundo as licenças já atribuídas pelo governo.

Apesar disso, Faria Conceição disse não acreditar que as tarifas venham, de facto, a ser oneradas via um maior investimento da REN nas redes de distribuição, tendo em conta as tarifas subsidiadas nas renováveis, os leilões de energia que estão a ser preparados para junho, e outras estratégias que o governo está a desenvolver para fazer descer os preços da energia elétrica.

“O que estamos a investir por ano é inferior ao que estamos a amortizar. Logo, não é por culpa da REN que as tarifas ficam mais altas. É o Estado que manda a REN investir”, disse o responsável no evento REN Media Day, sublinhando que desde 2012 o investimento da REN tem vindo a cair, num “novo ciclo” que pode agora ser interrompido com a corrida ao solar no sul do país. “O nível de investimento [da REN] estabilizou o nível de ativo pelo que não induz aumentos tarifários”, disse o administrador na sua apresentação.

Apesar da tendência de queda no investimento nos últimos anos, Gonçalo Morais Soares, CFO da REN, sublinhou no mesmo evento que o investimento da empresa aumentou 2,9 milhões de euros (21%) no primeiro trimestre de 2019 (face ao período homólogo), para os 16,8 milhões de euros, “beneficiando do aumento dos investimentos desenvolvidos no negócio da eletricidade”. Destes, 1,2 milhões dizem respeito à construção do cabo submarino para o projeto eólico Windfloat, em Viana do Castelo, que deverá entrar em funcionamento em 2019, de acordo com o consórcio liderado pela EDP.

Já João Faria Conceição lembrou ainda que os estudos de análise de rede (ou seja, por exemplo, quando os novos promotores de projetos solares se querem ligar à rede) cabe à REN dizer sim ou não e enviar essa resposta à Direção Geral de Energia e Geologia.

“Nos últimos tempos temos sido bastante solicitados pela DGEG e pelos promotores para fazer estas análises de redes”, disse Faria Conceição, garantindo que todas as 19 centrais que vão surgir este ano já têm atribuída a sua respetiva ligação à rede. Mediante as orientações da política energética, o governo mandata depois a REN para investir e desenvolver a rede para acomodar mais potência, ou não, disse ainda o administrador.

Pela primeira vez, em fevereiro de 2019 a REN viu o seu plano de desenvolvimento e investimento na rede de transporte de eletricidade aprovado pelo Estado (depois do aval da ERSE), no valor de 535,1 milhões de euros entre 2018 e 2027. De acordo com a REN está já “aprovada a maior parte do investimento da eletricidade do primeiro quinquénio, com um valor total de de 460,1 milhões entre 2018 e 2022”.

Este plano incide sobretudo no desenvolvimento da rede de distribuição de energia no sul do país, onde a mesma é mais escassa, e para onde está planeada a construção das novas centrais fotovoltaicas, explicou Faria de Conceição. Entre estes projetos, está por exemplo o eixo Ferreira do Alentejo – Ourique – Tavira, com um investimento de quase 70 milhões, e o eixo Falagueira – Estremoz – Divor – Pegões, com 37,5 milhões.

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