Imobiliário

Proprietários receiam extensão das moratórias das rendas comerciais

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

A pandemia do novo coronavírus deverá travar o aumento das rendas das casas em 2021 que se verificava desde 2015.

As rendas das casas e dos imóveis comerciais e industriais deverão ficar congeladas em 2021, o que já não sucedia desde 2015. A atualização do valor das rendas é determinada pela taxa de variação média do índice de preços dos últimos 12 meses até agosto, excluindo a habitação, mas em julho esse indicador ficou negativo em 0,04% e já não deverá sofrer alterações.

Para as associações de proprietários é já evidente que as rendas vão ficar congeladas no próximo ano. “É uma consequência da inflação”, a que acresce “uma grande retração do mercado de arrendamento que a pandemia está a gerar, levando à descida das rendas”, diz Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários.

Luís Menezes Leitão frisa que as rendas já estão a descer e a perspetiva é que a partir de outubro caiam mais, altura em que termina o impedimento das empresas que aderiram ao regime do lay-off simplificado de despedir.

Uma hecatombe

Para António Frias Marques, presidente da Associação Nacional de Proprietários (ANL), o congelamento das rendas será uma “hecatombe” para os proprietários de edifícios não habitacionais. Segundo o presidente da ANP, já há milhares de senhorios que não estão a receber as rendas desde abril, ao abrigo do regime das moratórias que o Governo lançou para apoiar a retoma da economia. Neste momento, o regime estipula que os inquilinos assumam as suas obrigações a partir de 1 de setembro, mas no horizonte paira a possibilidade de uma prorrogação deste apoio.

Por sua vez, Luís Menezes Leitão lembra que os proprietários de edifícios comerciais não têm qualquer apoio do Estado, ao contrário dos senhorios de imóveis residenciais, por estarem desde abril sem receber rendas dos seus inquilinos. “Temos situações dramáticas e são muitos os proprietários nesta situação” e “não sabemos se o regime das moratórias vai voltar a ser prorrogado”, frisa.

Os proprietários estão também a ser confrontados com negociações em baixa do valor das rendas. A pandemia inverteu o ritmo de crescimento da economia portuguesa, mas há setores cujo negócio até conheceu um incremento. Por isso, António Frias Marques surpreendeu-se quando tomou conhecimento que uma grande cadeia de supermercados portuguesa quis negociar em baixa a renda do imóvel que ocupa.

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