Ferrovia

Renovação do troço Espinho/Gaia adjudicada por 55,3 milhões

Passagens de nível serão removidas e substituídas por desnivelamentos. Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens
Passagens de nível serão removidas e substituídas por desnivelamentos. Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Obra terá financiamento comunitário de 85% e está inserida numa empreitada global que representa um investimento de cerca de 166 milhões de euros

A renovação do troço entre Espinho e Vila Nova de Gaia da Linha do Norte foi adjudicada por 55,3 milhões de euros, depois de ter recebido visto do Tribunal de Contas (TdC), revelou a Infraestruturas de Portugal (IP).

Em comunicado, a IP informa que consignou os trabalhos de modernização “integral” deste troço entre Espinho (Aveiro) e Vila Nova de Gaia (Porto), obra que terá financiamento comunitário de 85% e está inserida numa empreitada global que representa um investimento total de cerca de 166 milhões de euros.

Ainda de acordo com a IP, esta intervenção “destina-se a tornar o serviço ferroviário mais competitivo e eficiente no transporte de passageiros e mercadorias e reforçar a ligação entre o norte e o sul do país”.

Esta empreitada já gerou polémica a nível local, nomeadamente na zona de Miramar, no concelho de Vila Nova de Gaia, estando a circular uma petição pública com o título “Não Destruam Miramar: Não ao Túnel”, que, pelas 15 horas desta quarta-feira, contava com 2187 subscritores.

No comunicado de hoje, a IP aponta que “com a execução desta empreitada haverá um conjunto de benefícios económicos totais muito significativos, tanto para as pessoas como para as empresas”.

A empresa prevê uma “diminuição dos acidentes”, através da eliminação de todas as passagens de nível existentes de forma “a aumentar a segurança, a fiabilidade do serviço ferroviário e da mobilidade”.

“Com as intervenções nas plataformas, nomeadamente o seu alteamento, alargamento e aumento do seu comprimento, espera-se uma melhoria no conforto e segurança dos passageiros, dotando as estações de melhores acessibilidades. Haverá igualmente ganhos para o transporte de mercadorias, com a criação de duas vias de resguardo eletrificadas com 750 metros de extensão, aumentando assim a capacidade da via”, lê-se na nota.

Esta empreitada tem um prazo de 660 dias e visa a modernização de um troço com cerca de 14 quilómetros, pelos quais passam mais de 1000 comboios de passageiros e de mercadorias por semana.

Os trabalhos incluem a substituição integral da superestrutura de via, a alteração do layout das estações de Granja e de Vila Nova de Gaia, bem como a substituição integral de um trecho de catenária com oito quilómetros de extensão.

O sistema de catenária entre o quilómetro 318,600 e o quilómetro 327,000 também será substituído integralmente, entre outros pormenores, como a renovação integral dos postos de catenária, a substituição da zona neutra de Aguda e adaptação da catenária nas estações de Vila Nova de Gaia e Granja.

Quanto às passagens de nível, a IP prevê eliminar as existentes neste troço, quer sejam rodoviárias ou pedonais, bem como os atravessamentos de nível entre plataformas em estações, através da construção de 17 desnivelamentos, e compromete-se a renovar dois desnivelamentos já existentes.

Novos órgãos de drenagem ou um sistema de retorno de corrente de tração e terras de proteção são aspetos novos do projeto que também inclui o alteamento e alargamento de plataformas de acesso de estações e apeadeiros, bem como a criação de duas vias de resguardo eletrificadas com 750 metros de extensão, para aumento da capacidade da via no transporte de mercadorias.

Em 3 de julho, a IP, em resposta a perguntas da agência Lusa sobre as implicações do projeto na zona de Miramar, disse que a criação de um túnel naquele local visa reduzir o “risco de acidentes” e admitiu que será necessário remover árvores, aspeto criticado pelos subscritores da petição pública que lamentam uma intervenção numa zona que se “destaca pela sua traça arquitetónica antiga e cuidada”.

Ainda de acordo com o descrito na petição, o projeto, que está a ser levado a cabo pela IP, inclui “o abate das árvores centenárias”, bem como “a construção de um túnel que abarcará grande parte do trajeto desde a praça de Índia até aos primeiros quarteirões a nascente da estação”.

Em resposta à Lusa, a IP admitiu que “a execução desta intervenção não seria possível sem a remoção de algumas das árvores existentes no local”, mas garantiu que, “tal como acordado com autarquia, o projeto prevê a reposição de todas as árvores retiradas, bem como o arranjo paisagístico de toda a zona envolvente, numa perspetiva de minimização efetiva dos impactes associados a esta importante intervenção”.

No mesmo esclarecimento, a empresa especifica que, em Miramar, será eliminada a passagem de nível ao quilómetro 323,840 da Linha do Norte, a qual, segundo a IP, “apresenta um elevadíssimo histórico de acidentes e incidentes, tendo-se registado 105 ocorrências apenas durante o ano de 2019”.

A agência Lusa pediu à Câmara de Vila Nova de Gaia mais esclarecimentos sobre este projeto e uma reação a esta polémica, mas até ao momento não obteve resposta.

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