Política Monetária

Reserva Federal contraria Trump e sobe juros

Jerome Powell, presidente da Fed. Fotografia: REUTERS/Joshua Roberts
Jerome Powell, presidente da Fed. Fotografia: REUTERS/Joshua Roberts

Intervalo da taxa dos fundos federais aumenta 0,25 pontos percentuais para entre 2,25% e 2,50%

Apesar da pressão feita por Donald Trump, a Reserva Federal dos EUA decidiu fazer o quarto aumento das taxas de juro este ano. O intervalo da taxa de fundos federais passa a ser de mais 0,25 pontos percentuais, situando-se entre 2,25% e 2,50%. A autoridade monetária mantém a indicação de que poderão ser necessárias mais subidas dos juros, mas a um ritmo mais lento do que o anteriormente sinalizado.

A decisão do banco central liderado por Jerome Powell era já antecipada pelo mercado, que atribuía uma probabilidade superior a 70% para que houvesse uma subida dos juros na reunião desta quarta-feira. Mas Donald Trump tem criticado as decisões da Fed de subir juros. Esta semana recorreu por duas vezes ao Twitter para avisar dos riscos de aumentar as taxas.

“É incrível que com um dólar muito forte e praticamente sem inflação, com o mundo lá fora a rebentar em cima de nós, com Paris a arder e a China a vir por aí abaixo, a Fed esteja sequer a considerar outra subida das taxas de juro”, disse o presidente americano no início da semana.

Além de ter contrariado as pretensões de Trump, a Fed mantém a mensagem de que os juros são para continuar a subir. “O Comité julga que algumas subidas graduais no intervalo da taxa dos fundos federais será consistente com uma expansão sustentada da atividade económica, condições mais fortes do mercado de trabalho e de uma inflação perto do objetivo de 2% no médio prazo”, diz a instituição liderada por Jerome Powell no comunicado sobre a decisão de política monetária.

A declaração é mais defensiva do que a da reunião de novembro, altura em que a Fed era mais taxativa sobre o ritmo da subida de juros. Agora introduziu a palavra “algumas”, que pode sugerir um ritmo mais lento no aumento das taxas. E promete “continuar a monitorizar os desenvolvimentos económicos e financeiros e avaliar as suas implicações para o cenário económico”.

Além da pressão de Trump, a Fed enfrenta também as dúvidas dos investidores. As bolsas têm descido com o mercado a recear que a continuação da subida das taxas por parte da autoridade monetária dos EUA possa levar a maior economia do mundo a desacelerar.

Apesar de manter que irá subir taxas, a Fed indica que o ritmo poderá ser mais lento. Para o próximo ano, a mediana das estimativas dos responsáveis de política monetária aponta para uma taxa de 2,9%, abaixo dos 3,1% estimados na reunião de setembro. Isso sinaliza que em vez de três aumentos os responsáveis do banco central estão a contar agora com apenas duas subidas na taxa dos fundos federais em 2019.

E também os decisores da Fed aparentam estar menos otimistas sobre o andamento da economia americana. Para o próximo ano preveem um crescimento de 2,3% do PIB, abaixo dos 2,5% antecipados nas projeções feitas em setembro.

Atualizada às 19:30 com mais informação

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