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Reserva Federal corta taxas de juro pela primeira vez em 11 anos

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal. Fotografia: REUTERS/Leah Millis
Jerome Powell, presidente da Reserva Federal. Fotografia: REUTERS/Leah Millis

Intervalo das taxas de juro norte-americanas foi reduzido em 0,25 pontos, de 2,25% a 2,50% para 2% a 2,25%, indica a Fed.

As taxas de juro de referência dos Estados Unidos foram reduzidas pela primeira vez desde a crise de 2008, isto é, há praticamente 11 anos. É uma medida de emergência para combater o ambiente cada vez mais hostil no comércio internacional e a inflação cada vez mais fraca, segundo a Reserva Federal (Fed).

Esta quarta-feira, o intervalo das taxas de juro oficiais norte-americanas foi assim reduzido em 0,25 pontos percentuais, de 2,25% a 2,5% para 2% a 2,25%, indica uma nota com as conclusões da reunião de política monetária.

Segundo o banco central da maior economia mundial, a decisão “leva em conta uma gama alargada de informações, incluindo condições do mercado de trabalho, indicadores sobre pressões inflacionistas e expectativas de inflação, além de leituras sobre os desenvolvimentos financeiros e internacionais”.

Tudo levado em conta, a Fed concluiu que, embora o desemprego se mantenha “baixo” e a despesa das famílias até tenha recuperado face ao início do ano, o problema é que a inflação está demasiado baixa (tendo em conta a meta de 2% perseguida pela instituição) e o crescimento do investimento tem sido “suave”, o que levanta dúvidas sobre a retoma e a criação de emprego num futuro próximo.

Além disso, o panorama para a economia dos EUA nos próximos meses aparece demasiado “incerto”, tendo em conta o contexto nacional, mas também o internacional.

A administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, tem vindo a verbalizar ameaças e a tomar medidas comerciais (tarifárias) cada vez agressivas contra as importações de países como a China e mesmo a União Europeia. Ambos os espaços económicos já começaram a retaliar, inclusive.

Esta decisão da Fed em aliviar juros já era de certa forma esperada, mas não deixa de ser bastante simbólica. Ela, no fundo, faz a vontade a Trump, que nos últimos meses tem atacado a Fed por, na sua opinião, não fazer o suficiente pelo bem da economia norte-americana.

O banco central sempre se defendeu, alegando que é uma instituição independente do poder político, que baseia as suas decisões em fundamentais económicos e de mercado e expectativas relativas à inflação e à confiança dos agentes económicos, não em opiniões políticas.

No entanto, o mundo foi mudando para pior nos últimos meses.

“Parece que a incerteza em torno das tensões comerciais e as preocupações sobre a força do crescimento global continuam a pesar nas perspetivas para a economia dos EUA”, disse o presidente da Fed, Jerome Powell, numa audiência que decorreu este mês no Congresso.

Essa “incerteza aumentou nos últimos meses” e o “ritmo económico parece ter abrandado em algumas das maiores economias estrangeiras, pelo que essa fraqueza poderá afetar a economia dos EUA”.

Além disso, acenou Powell, existe “um conjunto de questões de política que ainda carecem de resolução, incluindo os desenvolvimentos no comércio, o teto da dívida federal e o brexit”.

No entanto, o banqueiro central disse que não há indicações de que seja necessário um ciclo longo ou mais prolongado de descidas de taxas como aconteceu no ataque à Grande Recessão, que começou em 2007/2008.

Entre meados de dezembro de 2008 e meados de igual mês de 2015 (durante sete anos, portanto), o intervalo das taxas dos EUA ficou em mínimos históricos (0% a 0,25%). Esse último corte de taxas aconteceu no final de 2008, justamente. Depois, desde o final de 2015 que os juros começaram a subir. Agora, esse movimento parou.

Entretanto, na zona euro…

Na zona euro, a taxa de juro central do Banco Central Europeu (BCE) mantém-se em 0% (desde meados de março de 2016, ou seja, há mais de três anos que está no valor mais baixo de sempre).

No entanto, como a situação da zona euro é frágil e a inflação está fraquíssima, tudo aponta para que a última decisão de Mario Draghi à frente do BCE (ele sai no final de outubro para dar lugar a Christine Lagarde) será no sentido de descer juros.

A maioria dos analistas considera que o BCE pode cortar ainda mais a taxa de facilidade de depósito, que já é negativa. O mais provável é que esta taxa desça dos atuais -0,4% para -0,5% na reunião de taxas de juro de setembro.

(atualizado às 20h55)

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