Política Monetária

Reserva Federal mantém juros. Mas avisa que incerteza aumentou

Jerome Powell, presidente da Fed. Fotografia: REUTERS/Joshua Roberts
Jerome Powell, presidente da Fed. Fotografia: REUTERS/Joshua Roberts

Apesar das pressões de Trump para descer juros, Jerome Powell deixou a taxa dos fundos federais inalterada.

 

A Reserva Federal manteve o intervalo da taxa dos fundos federais entre 2,25% e 2,5%. Apesar de não mexer nos juros, a autoridade monetária salientou que os riscos aumentaram, abrindo a porta a eventuais cortes nos próximos meses. Ainda assim, a instituição liderada por Jerome Powell manteve a perspetiva de que o mais provável é que a economia continue a expandir-se de forma sustentada e que a inflação evolua para níveis consistentes com a meta de 2%.

“O Comité continua a perspetivar uma expansão sustentada da atividade económica, fortalecimento das condições no mercado de trabalho e que a inflação fique perto do objetivo de 2% como os cenários mais prováveis”, referem os responsáveis da Fed no comunicado da reunião concluída esta quarta-feira.

No entanto, a Fed salienta que “as incertezas sobre estas perspetivas aumentaram”. E assegura que “à luz destas incertezas e das pressões sobre a inflação, o Comité vai monitorizar de perto as implicações das próximas informações sobre as perspetivas económicas e irá agir de forma apropriada para sustentar a expansão, com um forte mercado de trabalho e perto do objetivo de inflação de 2%”.

Indícios para descida de juros

Face ao comunicado anterior, o Comité Federal do Mercado Aberto da Fed deixou cair a referência de que iria ser “paciente” para determinar se as incertezas geradas pela guerra comercial levariam a uma descida das taxas de juro. Essa alteração indicia que Powell está a preparar o mercado para um eventual corte de juros.

Antes da decisão, os analistas do RBC Capital Markets afirmavam, numa nota a investidores a que o Dinheiro Vivo teve acesso, que a Fed quer ter flexibilidade para baixar juros caso as negociações entre os EUA e a China sobre a relação comercial continuem num impasse.

“A Fed deverá aproveitar a reunião de junho para enviar uma mensagem de flexibilidade. Por exemplo, que um corte de juros em julho estará muito condicionado à evolução das negociações sobre comércio entre EUA/China”, referiam. Os economistas do banco consideram que “é difícil acreditar que a Fed pode baixar taxas se, de repente, as tensões com a China baixassem”.

No entanto, o RBC Capital Markets salienta que prolongar a incerteza sobre a guerra comercial levaria a que Powell não tivesse outra opção que não o corte nos juros, para proteger a economia americana. Os economistas do banco acreditam que só se terá uma maior clareza sobre o que a Fed irá fazer depois da cimeira do G-20 no final do mês.

Na zona euro, a incerteza sobre as consequências económicas da guerra comercial já levaram Draghi a admitir que poderia descer ainda mais as taxas de juro. O presidente americano, Donald Trump, criticou essa estratégia. Acusou Draghi de estar a desvalorizar o euro, tornando as exportações da moeda única mais competitivas face ao dólar. Trump tem também criticado o rumo das políticas monetárias da Fed. E tem pressionado Powell a descer as taxas de juro.

Atualizada às 19:29

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