Imobiliário

Restaurante Mónaco está à venda por 800 mil euros

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O
mítico restaurante Mónaco, que deu nome à curva onde está situado
na Avenida Marginal, está à venda por 800 mil euros. A mediadora
imobiliária responsável pelo negócio é a Century 21, que angariou
o espaço de 1100 metros quadrados há duas semanas.

Os quatro
herdeiros e donos do antigo restaurante não residem em Portugal,
estão na América Latina e não têm interesse em recuperar o
espaço.

“Está
fechado há vários anos e está totalmente destruído por dentro”,
diz ao Dinheiro Vivo Luis Brizida, responsável da Century 21 Alfa,
em Algés.

“Só tem mesmo as paredes de fora. Até roubaram as
janelas.” Brizida adianta que o imóvel “já tem três
interessados”, sendo que um deles é dono de um restaurante na
linha de Cascais e foi o único que apresentou uma proposta concreta.
A sua intenção é fazer ali um restaurante, até porque o Mónaco
mantém licença para comércio, mas o valor da oferta é inferior
aos 800 mil euros.

Os proprietários do Mónaco não aceitaram mas
fizeram contra proposta.
“Há
uns cinco anos valia perto de 1,5 milhões de euros, mesmo degradado,
mas os 800 mil não é preço de desconto”, refere Brizida,
sublinhando que está dentro dos valores do mercado neste momento.
“800 mil euros é um valor justo nesta fase porque o espaço tem 70
anos e está muito degradado, ou seja, vai precisar de uma
intervenção considerável para se recuperar”, acrescenta.

A
câmara de Oeiras poderá estar disposta a alterar a licença para
outro tipo de utilização, “por exemplo, habitação, se isso
significar um investimento privado na reabilitação.” Entre o
leque de interessados há uma multinacional, que quer transformar o
espaço em escritórios. Antes de fazerem propostas, estes
interessados querem ir ao local com arquitetos e estão à espera que
a câmara municipal de Oeiras lhes diga o que pode ser ali feito e
até quantos pisos podem ir.

“A minha expectativa é de que possa
ir até aos 3 pisos”, complementa Luis Brizida.
Em
2008, houve uma tentativa de reavivar o restaurante: o empresário
Luís Quaresma e a escola Dançarte tentaram a sua sorte, com a ajuda
do chef Frederico Gama, mas a iniciativa falhou e o restaurante
voltou a fechar.

O
Mónaco teve o seu auge nos anos 50, 60 e 70 do século passado,
famoso por bailes formais e glamour, com frequência assídua do
“jet-set” da altura.

É uma das maiores referências de toda a
linha de Cascais entre os empreendimentos imobiliários que estão em
decadência ou foram completamente transformados.

Não
muito longe dali está precisamente o edifício que há cinquenta
anos também era um sucesso junto da alta sociedade da linha. A casa
de chá Vela Azul, situada no Alto da Boa Viagem, está completamente
abandonada há várias décadas.

A câmara de Oeiras
indicou ao Dinheiro Vivo que se trata de propriedade privada e não
há qualquer plano de recuperação em curso. Edificado nos anos quarenta, a sua popularidade não
durou muito tempo e acabou por encerrar, no final dos anos sessenta.

Correram rumores de que albergava um casino ilegal e que inclusive
tinha um “bunker”, tão típico da guerra fria, nas suas caves.
Ao longo do tempo, tornou-se conhecido como um local de fenómenos
paranormais, onde chegaram a ser feitas festas “rave” nos anos
noventa e com ocupações temporárias de grupos de jovens.

Na
mesma situação devoluta estava a antiga estalagem Narciso, na praia
de Carcavelos, que foi um “ex-libris” da linha nos anos sessenta
e setenta. Era lá que ficavam os altos dignitários estrangeiros e
onde aconteciam muitos eventos sociais, em especial no verão. A
última versão foi inaugurada em 1967, com cerca de seis mil metros
quadrados de área coberta e mais de uma dezena de quartos com vista
para a praia.

Tinha restaurante, cafetaria, gelataria e cervejaria.

O
nome advém do seu criador original, Narciso Luíz Grave Júnior,
que nasceu em Alcanena na década de trinta e construiu a primeira
estrutura de apoio aos banhistas. Em estado de total degradação, o
Narciso foi alvo de obras de recuperação custeadas pela câmara
municipal de Cascais, segundo adiantou ao Dinheiro Vivo fonte do
organismo público.

“Depois
de um longo processo negocial com a família, Câmara Municipal de
Cascais tem projetado para o Narciso um Centro de Surf que dará
apoio à modalidade que, em Portugal, nasceu na praia de Carcavelos”,
adianta fonte da câmara. “Um investimento capaz de gerar mais
postos de trabalho e cadeias de valor numa modalidade em ascensão,
tanto em Portugal como no mundo.” O centro será inaugurado em
setembro, a tempo da competição Moche Series naquela praia.

Ainda
sem planos de recuperação estão as antigas cavalariças do
Tamariz, situadas junto à linha do comboio que dá acesso à praia.
Desenhadas em 1914 pelo arquiteto Norte Júnior, foram pedidas como
apoio à casa de António Santos Jorge, cuja morte súbita acabou por
interromper o projeto. A partir de 1996 foi considerado imóvel de
interesse público.


ainda o Hotel Miramar, que foi construído no Monte Estoril em 1914 e
acabou destruído por um incêndio em 1975. Há oito anos, surgiu o
plano de Pormenor de Reestruturação e Urbanização do Terreno do
Hotel Miramar, desenvolvido em parceria entre a câmara municipal e a
Estoril-Sol. No final de 2010, o plano ainda se encontrava em
discussão pública.

O hotel é um dos imóveis míticos da linha e
está incluído no inventário da Direção Geral dos Edifícios e
Monumentos Nacionais.

Melhor
sorte teve o antigo restaurante Choupana, em São João do Estoril, durante
muito tempo considerado o grande concorrente do Mónaco e com auge
também nos anos cinquenta e sessenta. Esteve fechado e acabou por
reabrir remodelado em 2008, com novo nome – Gordinni – e até
agora com sucesso, embora noutro registo. Os proprietários que o
recuperaram são Tiago Gordinni e Catarina Macário.

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