Energia

Resultados líquidos da EDP caem 74% até setembro. Culpa é dos CMEC

(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

A EDP espera encerrar o ano com resultados líquidos entre os 500 e os 600 milhões de euros, tal como já tinha avançado.

Os resultados líquidos da EDP desceram 74% nos primeiros nove meses de 2018, de 1147 milhões para 297 milhões de euros, no acumulado até setembro, por comparação com igual período do ano passado. A EDP espera encerrar o ano com resultados líquidos entre os 500 e os 600 milhões de euros, tal como já tinha avançado.

A queda a pique neste trimestre era já esperada pelos analistas e é agora justificada tendo em conta o ganho extraordinário de 560 milhões de euros que a empresa registou em 2017 com a venda da Naturgas em Espanha, um encaixe que não se repetiu este ano, e acima de tudo com o registo nas contas da elétrica de uma provisão extraordinária de 285 milhões de euros relacionada com o último despacho do ex-secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, que identifica este valor como uma alegada sobrecompensação por via dos custos de manutenção do equilíbrio contratual (CMEC).

“Os resultados do grupo EDP no terceiro trimestre de 2018 foram fortemente penalizados pelo efeito do despacho do Senhor Secretário de Estado da Energia de 29-Ago-18, que quantificou em €285M o impacto financeiro da alegada sobrecompensação dos CMEC. A EDP foi notificada pela DGEG sobre esta decisão a 26-Set-18 e, apesar de considerar que não existiram quaisquer aspectos inovatórios ponderados nos ajustamentos anuais ou no ajustamento final dos CMEC, tendo apresentado uma reclamação graciosa; a EDP registou uma provisão de 285 milhões no terceiro trimestre. O impacto desta provisão não recorrente no resultado líquido da EDP ascende a 195 milhões, traduzindo-se num resultado líquido do grupo EDP de 297 milhões de euros nos noves meses de 2018”, pode ler-se no comunicado enviado à CMVM.

Quanto ao lucro recorrente aumentou 2%, de 558 para 570 milhões de euros, enquanto as operações desceram 26% nos três primeiros trimestres do ano. A empresa destaca os fracos resultados em Portugal que dizem respeito a apenas 18 milhões de euros, ou seja, 6% do resultado líquido da empresa, muito por via dos custos relacionados com a regulação, que já ascendem a 320 milhões de euros. No país a empresa tem um investimento que já ascende a 10 mil milhões de euros.

Pelo contrário, 84% do resultado líquido da EDP está relacionado com as operações no estrangeiro, sobretudo de Espanha e do Brasil.

A dívida da EDP situa-se em 14,5 mil milhões de euros.

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