Retoma europeia começa bem mas depois fica-se pela metade e inflação evapora

Pandemia alert. "Atendendo ao recente recrudescimento do surto em muitos países, não é de excluir a reintrodução de restrições com incidência na atividade económica", diz a CE.

A generalidade das economias europeias devem registara uma retoma relativamente robusta em 2022, mas depois disso a maioria dos países deve voltar a crescimento mais baixos, refere a Comissão Europeia, nas novas previsões económicas do outono, divulgadas esta quinta-feira.

Já a inflação, que este ano muito preocupa os europeus, sobretudo por causa dos preços dos combustíveis e dos fornecimentos de matérias-primas, deve voltar a perder gás nos próximos tempo. Mais um argumento para o BCE se aguentar até começar a subir os juros.

De acordo com o novo estudo de Bruxelas, a zona euro e a União Europeia vão crescer mais ou menos o que já era esperado há seis meses na primavera: cerca de 4,3% no próximo ano.

A novidade agora é que a primeira projeção para 2023 é fraca: a zona euro avança 2,4% (o mesmo que Portugal, aliás), a UE algo parecido (2,5%) em 2023.

A CE adverte, no entanto, que "estas perspetivas dependem, em grande medida, de dois fatores: a evolução do surto de covid-19 e o ritmo ao qual a oferta se adaptará à rápida recuperação da procura após a reabertura da economia".

Medo do vírus

Por exemplo, uma das coisas que mais preocupa Bruxelas é o reaparecimento de surtos agressivos da pandemia. Isso pode forçar a novos condimentos, ainda que parciais. A economia e o emprego sofrerão, claro.

"Muito embora o impacto da pandemia na atividade económica tenha diminuído significativamente, a covid-19 ainda não foi neutralizada e a retoma depende em grande medida da sua evolução, tanto na UE como no seu exterior."

Por isso, "atendendo ao recente recrudescimento do surto em muitos países, não é de excluir a reintrodução de restrições com incidência na atividade económica". "Na UE, este risco é particularmente importante nos Estados-Membros em que as taxas de vacinação atingem níveis relativamente baixos".

Apesar deste horizonte mais negro, a Comissão considera que "a economia europeia restabeleceu uma trajetória expansionista mais rapidamente do que o previsto".

A taxa de crescimento do PIB na UE, que chegou a 14% no segundo trimestre de 2021, "foi a mais elevada de sempre, sucedendo o mesmo com a queda sem precedentes do PIB aquando da primeira vaga da pandemia, no mesmo período do ano transato".

E no terceiro trimestre de 2021, a economia da UE "restabeleceu" o nível do produto (PIB) que existia antes da pandemia.

A execução do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (RRF) - o fundo que financia os planos de recuperação dos países - "tem vindo a desempenhar um papel importante na promoção dos investimentos públicos e privados", diz Bruxelas.

Ainda assim, "a dinâmica do crescimento enfrenta novos fatores adversos".

"Os estrangulamentos e as perturbações nos fornecimentos mundiais estão a afetar a atividade na UE, em especial a indústria transformadora, que se caracteriza por um grau de integração extremamente elevado."

O ritmo turbulento do gás natural

"Além disso, após terem registado uma queda acentuada em 2020, os preços da energia, em especial do gás natural, aumentaram a um ritmo turbulento ao longo do último mês, situando-se atualmente muito acima dos níveis pré pandémicos, o que irá afetar o consumo e o investimento", antevê a CE.

Neste quadro incerto e turbulento, a previsão para a inflação aponta para enfraquecimento dos preços.

"A inflação na zona euro deverá culminar em 2,4 % em 2021, devendo em seguida descer para 2,2 % em 2022 e para 1,4 % em 2023, uma vez que os preços da energia deverão progressivamente estabilizar. No que respeita à UE, a inflação deverá atingir 2,6 % em 2021, 2,5 % em 2022 e 1,6 % em 2023."

"Este aumento acentuado da inflação deve-se essencialmente à súbita escalada dos preços da energia, mas parece estar igualmente associada a um vasto conjunto de ajustamentos económicos pós-pandemia, o que leva a pensar que os atuais níveis elevados são, em grande medida, transitórios."

Ou seja, o Banco Central Europeu (BCE), cujo novo mandato é manter a inflação em torno de 2%, não terá grande margem para subir taxas de juro, como se chegou a dizer há uns meses. Portanto, a CE estará a contar com juros mínimos, quase zero ou abaixo de zero, até 2023, pelo menos.

Nas novas contas da Bruxelas, a inflação da zona euro deve ceder de 2,4% em 2021 para 2,2% no próximo ano e depois afundar para 1,4% em 2023.

Portugal acompanha e por baixo. Inflação esperada deve rondar 0,8% este ano, 1,7% no próximo e desliza novamente para 1,2% em 2023, dizem as novas previsões.

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