Turismo

Revive: Mais 12 imóveis históricos vão a concurso

O programa de recuperação do património para fins turísticos atraiu já o interesse de uma centena de estrangeiros.

O programa Revive, uma iniciativa governamental para a recuperação do património público com valor histórico devoluto, entrou em velocidade de cruzeiro. Até ao final do ano, vão ser lançados 12 novos concursos, a somar aos três em curso, o que significa que mais de metade dos 33 edifícios que integram o projeto estarão no mercado. Por esta altura, o projeto deverá conhecer uma nova fase. O programa tem despertado o interesse dos grupos turísticos nacionais e também de muitos investidores estrangeiros.

O Vila Galé tem em fase de obra o Convento de São Paulo, edifício setecentista erigido no atual centro histórico de Elvas e o primeiro a ser lançado a concurso. O grupo liderado por Jorge Rebelo de Almeida vai investir perto de seis milhões de euros na requalificação do convento num hotel de quatro estrelas, com 80 quartos. E não quer ficar por aqui. O Vila Galé levantou o caderno de encargos do concurso da Coudelaria de Alter, lançado em abril, e mantém-se atento ao programa. “Acredito que haverá mais dois ou três edifícios que poderão interessar-nos e que poderemos analisar”, disse Jorge Rebelo de Almeida.

“A coudelaria tem imenso potencial e a região de Alter é lindíssima, mas também têm muitos riscos associados”, diz, adiantando que ainda não é certo que apresente candidatura. Na sua opinião, Alter do Chão talvez não seja ainda muito atrativo para que os turistas visitem e pernoitem na região, “é ainda um sítio de passagem, onde um projeto hoteleiro grande pode ser difícil de viabilizar”. Embora interessado no projeto, o gestor defende a necessidade de “algum investimento público por parte da Companhia das Lezírias” na revitalização da coudelaria e dinamização do complexo. Ainda assim, já fez contas e prevê que a requalificação implique um custo próximo dos sete a oito milhões de euros.

O Grupo Pestana Pousadas já anunciou o seu interesse por quatro ou cinco edifícios que integram o programa. “Relativamente ao conjunto dos imóveis que foram indicados como a disponibilizar, apenas em quatro ou cinco casos poderemos vir a ser candidatos”, disse recentemente Luís Castanheira Lopes, presidente do grupo, adiantando que serão imóveis nas zonas de Lisboa e do Algarve.

Investidores internacionais têm também olhado para o programa com interesse. Segundo a Secretaria de Estado do Turismo, já foram contabilizadas “cem manifestações de interesse sobre os imóveis incluídos no Revive” de entidades estrangeiras. Para já e tendo em conta os três imóveis adjudicados, todos ficaram em mãos de grupos portugueses. Os Pavilhões do Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, foram entregues ao grupo Visabeira, que ficou responsável pela adaptação do edificado em unidade hoteleira. Já o Hotel Turismo da Guarda foi concessionado ao grupo MRG. O Convento de São Paulo está com o Vila Galé.

Este ano, foram lançados a concurso o Colégio de São Fiel, edifício do concelho de Castelo Branco, que não escapou aos incêndios do verão passado, a Coudelaria de Alter e, mais recentemente, o Convento de Santa Clara, em Vila do Conde. O período de receção de propostas ainda decorre. Em fase de análise estão as duas candidaturas para a recuperação da Quinta do Paço de Valverde, em Évora, e adaptação a hotel.

Dos 12 imóveis a lançar a concurso público internacional até ao final do ano, a Casa de Marrocos, em Idanha-a-Nova, o Forte de Santa Catarina, em Portimão, e o Convento de Santo António dos Capuchos, em Leiria, serão os primeiros a apresentar-se a escrutínio, avançou fonte oficial da Secretaria de Estado do Turismo.

O programa Revive, uma iniciativa lançada há dois anos pelos ministérios das Finanças, Economia e Cultura, tem o foco na recuperação do património público com valor histórico, tendo em vista a dinamização económica e turística dos territórios onde se inserem, muitos no interior do país. As concessionárias dos edifícios ficam obrigadas a realizar o projeto contratualizado e a pagar uma renda ao Estado, calculada com base no investimento necessário à recuperação dos imóveis.

De acordo com a Secretaria de Estado do Turismo, há outros critérios exigidos no que toca à estratégia regional, de que são exemplo as componentes de formação, prevista para o Hotel Turismo da Guarda, termal e cerâmica, no caso dos Pavilhões do Parque D. Carlos I. Em cada concurso são definidas as possíveis utilizações do edifício, que não têm necessariamente de passar pela hotelaria. O concurso do Colégio de São Fiel, por exemplo, permite candidaturas para empreendimento turístico, estabelecimento de alojamento local ou outro projeto de vocação turística.

Os imóveis que constam desta primeira fase do programa foram alvo de estudos arquitetónicos da Direção-Geral do Património Cultural, que estabeleceram regras e parâmetros para as intervenções, e histórico-artísticos pelo Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa. Uma nova fase do programa está prevista ser lançada até ao final do ano.

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