Ricciardi: “Aeroportos não serão vendidos às partes”

José Maria Ricciardi, CEO do BESI
José Maria Ricciardi, CEO do BESI

A venda da TAP e da ANA só deverão estar concluídas no final do
ano, mas tudo está a ser feito para manter o hub [centro de conexão
de voos] em Lisboa. “O negócio deverá estar fechado até ao final
do ano”, disse, em entrevista ao Dinheiro Vivo, José Maria
Ricciardi, o presidente do BESI, financial advisor na privatização
da companhia aérea portuguesa e da ANA.

Ricciardi diz que os aeroportos não serão partidos – “a ANA
deverá ser vendida em bloco, por inteiro” – e realça a
importância de, apesar de serem negócios separados, as operações
de privatização da TAP e da ANA ocorrerem em simultâneo. “É
evidente que as duas empresas, em conjunto, têm um valor estratégico
acrescido.”

airberlin diz que a TAP seria “um negócio vantajoso”. Leia mais aqui

O presidente do BESI defende ainda que “é fundamental e é
estratégico manter o hub em Lisboa, assente numa empresa de aviação
de bandeira, a TAP.” Uma ideia defendida pelo Governo ainda esta
semana. Em Singapura, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira,
afirmou que “o mais importante é garantir que a TAP continue a ser
uma empresa bandeira em Portugal e que o hub seja mantido, já que
somos uma porta muito importante para África e para o Brasil – um
papel que devemos continuar a desempenhar e até reforçar”.

O BESI é o único banco português dos quatros envolvido nestas
privatizações – foi igualmente consultor na venda da EDP -, ao
lado do Barclays, Citibank e Crédit Suisse. Mas José Maria
Ricciardi desvaloriza a questão da nacionalidade, realçando antes a
credibilidade. “Na banca de investimento esse tipo de
caracterização é cada vez mais esbatida. O BESI atua hoje
essencialmente no mercado da banca de investimento internacional.
Somos assumidamente um banco internacional nas nossas várias áreas
de negócio. No caso concreto das fusões e aquisições, estamos
presentes nas grandes operações internacionais, a competir com os
grandes bancos globais, de Espanha ao Brasil, na Polónia ou no Reino
Unido. Em 2011 o BESI foi o primeiro, em número de transações
deste tipo em Espanha e o quinto no Brasil.”

O presidente do BESI não quis comentar os números avançados
pelo Wall Street Journal na semana passada – 1,2 mil milhões de
euros, valor que multiplica por oito o EBITDA (lucros antes de juros,
impostos, amortizações e desvalorizações) – e que Andrew
Charlton, consultor para a Aviation Advocacy, disse ao Dinheiro Vivo
ser “um valor razoável para uma empresa com o potencial da TAP”.
Pelos mesmos parâmetros, a ANA valeria 2,5 mil milhões de euros –
o que significaria um lucro para o Estado de 1,4 a 1,6 mil milhões,
depois de descontados os 900 milhões de dívida acumulada da empresa
que gere os aeroportos nacionais.

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