Grupo Espírito Santo

Ricciardi quer reconstruir Grupo Espírito Santo

José Maria Ricciardi:  "Sou uma pessoa muito boa com os números, mas às vezes os sentimentos causam-me problemas com números".
José Maria Ricciardi: "Sou uma pessoa muito boa com os números, mas às vezes os sentimentos causam-me problemas com números".

Primo de Ricardo Salgado diz que foi "ingénuo" por "ter confiado em certas pessoas", mas está disposto a recomeçar a erguer o grupo.

José Maria Ricciardi diz-se “ingénuo” porque confiou “em certas pessoas” e não antecipou a derrocada do Grupo Espírito Santo, um nome que “era a melhor marca da banca portuguesa”. E, por isso, o ex-presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) disse, em entrevista ao Jornal Económico, que quer iniciar a reconstrução do grupo familiar.

“Vou tentar, se tiver ainda alguns anos de vida. Construir não vou conseguir fazer, sejamos realistas, mas lançar a construção”, prometeu Ricciardi, que manteve o cargo mesmo quando o Haitong Bank adquiriu o ativo português, tendo apresentado demissão em dezembro para prosseguir nova atividade profissional.

“Será brevemente, não posso ainda adiantar como. Terá que ser brevemente”, apontou, considerando que o país tem espaço para mais de três grandes bancos e ele tem “condições, conhecimentos e vontade” para lançar um novo banco de investimento global.

Há, no entanto, uma fraqueza que Ricciardi assume. “Sou uma pessoa muito boa com os números, mas às vezes os sentimentos causam-me problemas com números”, confessou. Continuando o desabafo, revelou que possui ainda de “um pouco de ingenuidade. Uma visão um bocado optimista do carácter das pessoas. Fiquei absolutamente estupefacto com aquilo que fui-me apercebendo já relativamente tarde sobre o comportamento de certas pessoas e sobre o que elas são capazes de fazer por causa do dinheiro”.

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