Rio deixa Porto com portas abertas para liderar PSD ou ser Presidente da República

Rui Rio, ex-pres. CM Porto
Rui Rio, ex-pres. CM Porto

A liderança do PSD é o cenário indicado por analistas ouvidos pela agência Lusa sobre o futuro de Rui Rio, e um deles avança mesmo a hipótese da Presidência da República para o presidente da Câmara do Porto cessante.

“A grande vantagem de Rui Rio é ter uma imagem nacional para além do PSD e o caso da Presidência da República é o típico cargo de eleição direta que pode perfeitamente estar ao seu alcance. Justamente porque alarga bastante a base para além do partido, Rio pode aspirar a cargos onde a direção não é fundamental. Eu diria a Presidência da República”, avançou o politólogo António Costa Pinto.

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Com a tomada de posse do novo presidente da Câmara do Porto marcada para terça-feira, Rui Rio deixa a autarquia após 12 anos e três mandatos, com um capital político extra partidário que o catapulta para a arena nacional e lhe abre portas à liderança do PSD, defendem os analistas.

“Rui Rio é uma das figuras incontornáveis num cenário pós-Passos Coelho dentro do PSD. Tudo vai depender da sua disponibilidade para encarar o desafio. E também da dinâmica política interna e externa [do partido]. Os resultados das próximas legislativas são importantes para perceber até que ponto pode haver viragem dentro do PSD”, avança o politólogo Carlos Jalali, professor na Universidade de Aveiro.

Admitindo a possibilidade de haver eleições em 2014, “se as coisas correrem mal com a troika”, António Costa Pinto defende que atualmente “o mais provável é que a questão da liderança só se coloque em 2015”, altura em que Rio será “figura incontornável” na matéria.

Alertando que “a dinâmica política interna dos partidos, e sobretudo a do PSD, é muito incerta”, o politólogo sustenta que “é difícil saber se a estrutura de oportunidade” do economista “será a liderança” do partido, até porque “existem outras hipóteses” como “a da Presidência da República”.

Miguel Sousa Tavares é mais pragmático: “Não sei [se Rui Rio poderá ser o novo líder social-democrata]. O PSD é uma caixinha de surpresas. A curto prazo acho que não, porque o PSD está tomado pelo pior do aparelho, tal e qual como o PS, e o aparelho não lhe perdoa a derrota de Menezes [candidato derrotado nas eleições para a Câmara do Porto]”, disse à Lusa o comentador político.

Carlos Jalali destaca que Rio “aproveitou a plataforma que é a presidência da Câmara do Porto para intervir, ainda que cirurgicamente, mas de forma bastante deliberada, nas questões nacionais”.

“Isso também ajudou a catapultá-lo para a arena nacional, que não procurou ativamente, mas também não descurou, e agora lhe permite ter esse capital político acumulado bastante substancial na hora da saída”, avalia.

O analista destaca que Rio foi “bastante cuidadoso mas eficiente na sua comunicação em torno de questões nacionais”, tanto “em tomadas de posição sobre assuntos do país” como nas “questões internas do PSD”.

Ao mesmo tempo, assumiu “posições que, não sendo desafios explícitos a Passos Coelho, mostram posições dissonantes da liderança do partido”, acrescenta.

Também António Costa Pinto nota que Rio deixa a autarquia com o capital de “alguém que foi desempenhando funções políticas à margem do Governo e do atual programa de austeridade”, não estando, por isso, “associado à direção política de Passos Coelho”.

Enquanto autarca, Rio deixou na sociedade a “imagem de um presidente que soube com equilíbrio e sucesso gerir a autarquia” e de alguém “que atingiu um nível de popularidade para além do seu próprio partido”, podendo por isso aspirar a outro tipo de cargos políticos de tipo nacional”.

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