6º Aniversário Dinheiro Vivo

Robots. “A mão-de-obra humana não desaparecerá, haverá uma adaptação”

Fotografia: DR
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O estudo da PwC apresentado no aniversário do Dinheiro Vivo mostra o impacto da inteligência artificial e da robótica no futuro das empresas.

O estudo “Tendências que vão marcar a economia e as empresas” foi apresentado esta manhã por António Brochado Correia, partner da PwC, durante a conferência do sexta aniversário do Dinheiro Vivo, que teve lugar no Instituto Superior Técnico em Lisboa, subordinado ao tema Robótica e Inteligência Artificial.

Rápida urbanização, alterações climáticas e escassez de recursos, deslocação do poder económico, alterações demográficas e sociais e o rápido desenvolvimento tecnológico foram as megatendências, que se traduzem em desafios globais, identificadas pelo relatório. “Acrescentaria ainda as mudanças geopolíticas. Ainda ontem estivemos a discutir a posição de Trump em relação à capital de Israel”, indicou o responsável.

“Espera-se que em 2030, 50% das populações vivam em grandes cidades”, continuou António Brochado Correia. “Há estatísticas que apontam para 180 mil pessoas por dia que vão para as grandes cidades”, indicou, em relação à rápida urbanização. Quanto ao rápido desenvolvimento tecnológico, o responsável frisou que desde 2014 quase todas as empresas de grande porte estão preocupadas com o seu futuro e, por isso, começaram a falar do tema da Inteligência Artificial (IA). “90% dos dados do mundo tem menos de dois anos”, sublinhou.

Citando uma responsável da IBM, o partner da PwC afirmou que a época das startups passou e agora vai voltar a ser o tempo das empresa com conhecimentos de dados. A IA pode ter impacto nas megatendências, sublinha António Brochado Correia. Em relação às alterações demográficas terá impacto na mão-de-obra humana. “A mão-de-obra humana não desaparecerá, haverá uma adaptação. Terá que haver uma transformação”.

Em relação à mudança do poder económico, o responsável acredita que terá de haver uma maior distribuição das tecnologias. Quantos às cidades, haverá uma maior concentração dos poderes urbanos, em relação aos poderes centrais. Na alteração dos recursos, o estudo da PwC mostra que a IA será de grande importância, na questão da escassez, para uma melhor alocação de recursos.

“Quer os CEOs portugueses quer os mundiais, cerca de um terço já está num patamar digital na sua empresa”, indica António Brochado Correia. Atualmente, estes são 34% em Portugal e 33%, a nível global. Contudo, espera-se que, nos próximos anos, sejam 86% em Portugal e 72% no resto do mundo.

Neste momento, em Portugal só 7% dos líderes acreditam que tem um nível avançado de competências em tecnologias digitais. Em relação a setores, o do alojamento e restauração é o que terá maior potencial de automação. O menor é dos serviços educacionais.

“Dois terços da nossa mão-de-obra são os chamados millennials e eles não pensam da mesma maneira que as gerações anteriores”, indica o responsável. Quando questionados os CEO em relação às maiores inibições para o digital, o maior é a falta de cultura digital e formação. Logo em segundo lugar nas respostas, surge a dificuldade em compreender os benefícios económicos da adoção do digital.

Portugal está em 28º lugar em disponibilidade de cientistas e engenheiros. “Diziam que este era o maior segredo da economia portuguesa, a qualidade dos seus cientistas e engenheiros”, afirma António Brochado Correia. Para potenciar o talento nas empresas, o estudo da PwC recomenda um investimento na educação e cultura.

O impacto da Inteligência Artificial (IA) no emprego será em potenciar menos tarefas repetitivas, trazendo mais tempo para pensar e criar. “Siemens produz na Alemanha oito vezes mais com IA”, revela o responsável.

Como é que a IA já está a alterar a nossa forma de trabalhar? A questão foi posta pelo partner da PwC, na conclusão da apresentação do relatório. “Hoje estamos com uma inteligência assistida, mas em breve estaremos numa era de inteligência aumentada. O futuro é uma incógnita, mas poderemos entrar na inteligência autónoma,” concluiu António Brochado Correia, recordando que a tecnologia anda sempre muito mais rápido do que o que pensamos.

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