Eleições legislativas 2019

Rui Rio quer jornalistas penalizados por violação do segredo de justiça

Rui Rio quer jornalistas penalizados por violação do segredo de justiça
Debate entre os líderes dos seis partidos com assento parlamentar para as eleições legislativas 2019, na Rádio Renascença. António Costa, Rui Rio, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa, Assunção Cristas e André Silva. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Rui Rio não se importa com o politicamente correto e acredita que os jornalistas devem ser punidos pela publicação de temas em segredo de justiça.

“A violação do segredo de justiça tem de ser aplicada a todos os portugueses.” A frase é de Rui Rio durante o debate da rádio que juntou TSF, Renascença e Antena 1, refere-se à responsabilização dos jornalistas na publicação de questões em segredo de justiça e dividiu opiniões. Independentemente do pensamento dos adversários políticos, o líder do PSD garante que a sua convicção é de tal ordem que não tem qualquer dúvida, escreve a TSF.

No seguimento da discussão sobre corrupção, o social-democrata trouxe para cima da mesa um tema que, admite, “não é minimamente politicamente correto”, mas precisa de ser tido em conta, já que, caso contrário, “a sociedade não está equilibrada”.

“A violação do segredo de justiça tem de ser aplicado a todos os portugueses, não pode ser uma lei que serve para uns e não para outros. Se eu violo o segredo de justiça porque pego em algo que não posso saber e toco à porta do vizinho e lhe mostro isso consiste num crime, se eu mostrar a 10 milhões de portugueses, o crime é 10 milhões de vezes maior”, atirou o líder do PSD.

Rui Rio referia-se à comunicação social e à forma como são publicadas notícias provenientes de fugas de informação, o que na opinião do líder social-democrata deve ser punido.

Catarina Martins saiu em defesa dos jornalistas e da comunicação social. “A fuga do segredo de justiça é um problema, sim, e deve-se responsabilizar, mas limitar a liberdade da imprensa, perseguir jornalistas para resolver um problema do Ministério Público é atacar a democracia e nós isso não podemos admitir”, esclareceu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

“Não há nenhuma democracia sem imprensa livre e os jornalistas tem de fazer o seu trabalho, a proteger as suas fontes e dependemos também do trabalho da imprensa para combater a corrupção”, acrescentou.

António Costa está ao lado da bloquista neste tema, e consequentemente contra Rui Rio. O líder socialista recorda que o segredo de justiça “deve ser preservado para garantir a presunção da inocência e não prejudicar as investigações, mas quem está abrangido pela obrigação do segredo de justiça são aqueles que são atores no processo”.

“Não creio que a punição dos jornalistas seja uma boa solução e preocupa-me essa certa tendência autoritária que vejo muitas vezes de querer controlar o Ministério Público e punir os jornalistas”, justificou o primeiro-ministro.

Mesmo depois das respostas, Rui Rio manteve a posição: “Se é segredo, é segredo, não se pode publicar.”

O social-democrata explica que “não é com isto que se vai deixar de noticiar o problema”, já que em causa está “o momento em que se noticia o problema”. “Depois da acusação, podem encher as páginas todas do jornal, mas aí já não põem em causa ao bom nome da pessoa nem a própria investigação, através de porem o processo cá fora, avisarem os potenciais visados para se defenderem e destruírem provas”, atira Rio.

“Ainda que todos, eu não. A minha convicção é de tal ordem que não tenho dúvida nenhuma”, reforça o líder do PSD, deixando claro que está consciente do tema e da importância do mesmo.

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