Energia

Rystad aponta Galp como a 2ª petrolífera com maiores investimentos em renováveis

(Galp)
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Dez empresas lideram os 18 mil milhões de dólares de investimento de petrolíferas em renováveis até 2025. A norueguesa Equinor lidera

As principais petrolíferas mundiais vão investir mais de 18 mil milhões de dólares em projetos de energias solares e eólicas até 2025, mas 55% deste valor (10 mil milhões) são referentes a uma única companhia, a estatal norueguesa Equinor. Os dados são de um estudo da Rystad Energy, que destaca o papel da Galp, sublinhando que a empresa portuguesa ocupa o segundo lugar no ranking das petrolíferas com maiores investimentos em renováveis, a par da espanhola Repsol.

O estudo, que foi publicado na sexta-feira, mas atualizado esta quinta-feira com novos dados, para incluir, precisamente, os projetos da Repsol já para 2020, sublinha que a Equinor, a gigante norueguesa controlada pelo Estado, irá gastar 6,5 mil milhões de dólares, nos próximos três anos, para construir o seu portefólio eólico offshore. “Não esperamos que esta previsão seja fortemente afetada pela flutuação de preços do petróleo ou por cortes de investimentos, uma vez que grande parte do portefólio renovável da empresa já está comprometida, designadamente com o enorme projeto eólico offshore do Dogger Bank no Reino Unido”, pode ler-se no trabalho.

A Rystad sublinha que a sua análise é feita com base nos investimentos em energias solar e eólica anunciados antes de 1 de junho de 2020 e referentes a projetos específicos. “As principais petrolíferas prometeram mais fundos para as metas das renováveis do que as que estão listadas neste outlook, mas optamos, nesta análise, por excluir planos de gastos sem projeto específico associado, dada a incerteza quanto aos investimento que efetivamente estão em curso”, destaca a consultora especializada na área energética.

Na segunda posição, e depois da Equinor, surgem a Galp Energia e a Repsol. A Galp anunciou, no final do ano passado, em Londres, no Dia do Investidor, que pretende afetar 10 a 15% dos seus investimento global, da ordem dos 1000 a 1200 milhões de euros ao ano, em energias renováveis, dos quais cerca de 40% destinados à transição energética, que inclui o projeto de exploração de gás natural em Moçambique, enquanto a Repsol prometeu afetar 600 milhões de euros em três projetos só este ano.

Destaca a Rystad que, retirada a Equinor do da equação, os investimentos do setor petrolífero nas energias renováveis cairia nos próximos anos. “Esta queda não tem em consideração nenhum dos recentes cortes de investimentos anunciados pelas principais empresas”, sublinha o estudo.

O trabalho conclui, ainda, que praticamente todo o investimento em renováveis por parte das petrolíferas está concentrado em 10 grandes empresas. E, claro, reconhece que embora o valor global a investir, de 18 mil milhões de dólares pareça significativo, na verdade perde algum fulgor quando comparado com os 166 mil milhões de dólares previstos para o desenvolvimento de novos projetos em petróleo e gás durante o mesmo período. “Com as notáveis exceções da Equinor, Galp e Repsol, os investimentos em energias renováveis por outros gigantes do petróleo não atenderão nem aos requisitos típicos de capex de um único campo de petróleo e gás nos seus respetivos portefólios”, sublinha a Rystad.

E se é verdade que a covid-19 está a criar dificuldades ás petrolíferas, obrigando a cortes nos investimentos, destaca a Rystad que a pandemia pode funcionar como “catalisador”, levando as grandes companhias petrolíferas a injetarem mais capital em fontes renováveis.

“A pandemia está criar vários vendedores angustiados e a reduzir os custos de aquisição de ativos e empresas, criando assim oportunidades para o sector petrolífero acelerar sua transição energética através de aquisições. E com as empresas de exploração e produção a anunciar cortes profundos nos gastos, ainda podemos ver um aumento nos investimentos renováveis, como sugerem as manchetes recentes, facilitadas por novas fusões e aquisições”, defende Gero Farruggio, responsável da área de renováveis da Rystad Energy.

Recorde-se que a Galp anunciou, em janeiro, a compra das centrais solares do grupo ACS em Espanha, tornando-se, assim, o maior player de energia solar da Península Ibérica. “O acordo inclui a aquisição, desenvolvimento e construção de projetos até um valor total estimado de €2,2 mil milhões até 2023. A Galp tem como objetivo obter project finance para os restantes desenvolvimentos no período 2020-23 e desenvolver parcerias na área de renováveis”, anunciou, então, a empresa presidida por Carlos Gomes da Silva.

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