Salão de beleza em casa: vendas de tintas e depiladoras sobem 50%

Em menos de um mês, só os produtos para coloração do cabelo transacionados nos super atingiram cerca de 1,9 milhões de euros. Produtos para barbear estão em queda.

Cabeleireiros e barbeiros fechados, os portugueses estão a descobrir os seus "dotes" na coloração, corte de cabelo e depilação. O efeito de "salonização" dentro do lar é visível nos carrinhos do super: vendas de tinta para cabelo e de máquinas depiladoras subiram mais de 50%, e a de depilatórios 27,8%. Já os produtos para barbear estão em queda no novo regresso a casa: 13,8%. "O número de transações na área de saúde e beleza aumentou 106%", adianta Sara Sá, do KuantoKusta, que agrega mais de 1049 parceiros.

"A pandemia alterou a forma de consumo dos produtos de grande consumo como um todo. Especialmente entre os cuidados pessoais, observou-se uma tendência de produtos de higiene sobressaírem-se em detrimento dos de beleza", diz Victor Palandi, gestor de analytics da NielsenIQ. Nas últimas três semanas de janeiro, dois fenómenos antagónicos destacam-se. "A obrigatoriedade de teletrabalho pode ter impactado categorias associadas à barba como after-shave (-15,3%), produtos para barbear (-13,8%), máquinas de barbear (-2,6%), com menos rotação e número de itens nas lojas", comenta. Em contrapartida, "o efeito de salonização dentro dos lares beneficia categorias como coloração (+53,2%), descolorantes de cabelo (+36,8%), depilatórios (+27,8%) e máquinas de depilação (+15,6%), também com mais rotação e itens nas lojas", refere.

Em menos de um mês, só em coloração para cabelo vendeu-se no super cerca de 1,9 milhões de euros, segundo os dados da NielsenIQ. Repetindo uma tendência já do ano passado. "Foi a categoria com maior aceleração, crescendo a triplo dígito", destaca Afonso Cruzeiro, diretor de marketing mass DPGP da L'Oréal Portugal. Quem experimentou, 80% ficou satisfeita e voltaria a repetir, segundo um estudo feito em abril pela marca. O novo confinamento confirmou essa promessa: "Vemos um mercado a crescer a duplo dígito." E muitas compras online. "O confinamento abriu portas a clientes já 100% digitais e a outros que, por força das circunstâncias, sentiram um impulso extra para iniciarem a sua aventura na compra online. Produtos específicos de cuidados de pele (máscaras de tecido, por exemplo) e coloração foram altamente procurados", refere Afonso Cruzeiro. E com muitos consumidores mais dispostos a experimentar ferramentas de beleza. Houve "uma maior procura dos simuladores virtuais de cor de cabelo e até maquilhagem - os VTO (virtual try on) - que disponibilizámos nos nossos sites".

Vendas oscilam ao ritmo do confinamento

"O fecho de estabelecimentos como cabeleireiros e estéticas fazem com que os portugueses procurem métodos alternativos para manter uma boa aparência. Durante o confinamento as taxas de crescimento são maiores, porque realmente não existem alternativas às quais possam recorrer", comenta Sara Sá. "O mesmo fenómeno se verifica com os ginásios, assim que houve uma proibição poucas semanas depois notamos um aumento na procura por artigos ligados ao cardio training que possibilitam fazer exercício em casa", Sara Sá.

Nos super a procura por artigos de cuidado pessoal e beleza é uma onda que oscila ao ritmo do confinamento de desconfinamento. Desde o início da pandemia que as lojas Continente registam "alterações acentuadas na procura de produtos de cuidado pessoal (como artigos de higienização, sabonetes, colorações de cabelo, acessórios para cabelo e produtos depilatórios, por exemplo), seja por fortes crescimentos, seja por decréscimos nas vendas desta categoria", diz fonte oficial da Sonae MC. Motivos? Confinamento, fecho de diversos serviços e maior foco na saúde e cuidados reforçados com a higiene.

"Neste segundo confinamento, verificamos comportamentos de consumo muito semelhantes aos do primeiro", diz a cadeia. Ou seja, "nas primeiras nove semanas de 2021 a procura por artigos de cuidado pessoal mais do que triplicou", relata. "Venda de sabonetes, colorações, acessórios (para cabelo e não só) e depilatórios, registam crescimentos menos acentuados, mas ainda assim a três dígitos", continua. Em queda? Maquilhagem, produtos para pentear (lacas e gel), produtos para barbear e perfumes.

E o mesmo comportamento detetou o Lidl. Na cadeia, a procura por artigos de maquilhagem caiu, "fruto do confinamento e da distância social", com os produtos para barbear a não sofrer oscilações. "Já nos artigos de cuidado pessoal, da nossa marca Cien, os produtos de depilação foram os que registaram uma maior procura entre janeiro e fevereiro deste ano, destacando-se as bandas depilatórias para rosto, para o corpo e gel depilatório para senhora".

Desde o início do confinamento, "o número de transações na área de saúde e beleza aumentou 106% em relação ao ano anterior. Tem-se verificado um aumento substancial nas diferentes categorias de cuidados de corpo, cabelo e suplementos", adianta Sara Sá, do departamento de marketing do KuantoKusta.

Perfumes, cosméticos e maquilhagem tiveram um crescimento entre os 10% e os 41%. "A proximidade do Dia da Mulher potenciou as vendas especialmente em cuidados ligados ao público feminino. A aproximação da primavera também levou a um aumento na procura por suplementos e produtos homeopáticos", diz ainda.

Na Auchan colorações para cabelo (+32%) - com um "crescimento mais acentuado em colorações de longa duração e acessórios de coloração" - acessórios de cabelo (43,78%) e de manicure e pedicura (23,99%), mas também cera frias (+29%) e quentes (48,75%) foram alguns dos produtos de cuidados de beleza que mais subiram vendas com o regresso a casa. "Houve ainda um aumento nos cremes anti-celulíticos (+2,68%) e cremes esfoliantes (+22,12%)".

Já no Pingo Doce, produtos de coloração, de depilação, de manicure/pedicure e primeiros socorros registaram "um crescimento acentuado da procura" na categoria de cuidado pessoal".

Aparadores de cabelo e depiladoras em alta

Aumentam vendas de produtos, mas também de equipamento. Num mês, as vendas de aparadores de cabelo no KuantoKusta subiram 82%, as máquinas de barbear 20% - no primeiro confinamento tinham subida 120%. "Os secadores de cabelo não registaram um aumento, a escolha caiu sobre modeladores e alisadores que viram a sua procura subir na ordem dos 118%. Depiladoras também continuam com um forte crescimento especialmente desde o início de fevereiro, quase 50% de crescimento em relação a janeiro", revela Sara Sá.

Nos dois meses de arranque do ano, as vendas de aparadores de cabelo na Auchan dispararam 116,66% e as de balanças 70,66%. No Lidl, o aparador de cabelo e o de barba colocados à venda em fevereiro - já o país confinado - tiveram uma procura "acima da média" no primeiro dia em que chegaram às lojas. "Venderam na sua totalidade".

Aparadores de cabelo e não só. Em janeiro/fevereiro no El Corte Inglês registou-se um "aumento nas vendas de depiladoras, principalmente das depiladoras de luz pulsada (IPL) que resulta, certamente, do encerramento das clínicas de depilação a laser", aponta a cadeia. "No último ano registámos também uma procura crescente da depilação de longa duração, uma tendência que se manteve nos primeiros dois meses deste ano", continua. E o mesmo acontece com a procura de de secadores e alisadores de cabelo.

"Quer nos artigos que vendemos diretamente, quer nos que são vendidos pelos nossos parceiros marketplace em fnac.pt, temos, de facto, verificado um aumento da procura por diferentes tipos de produtos de cuidados pessoais. Neste confinamento, o foco do consumidor tem estado muito ligado à saúde e ao bem-estar e não tanto à parte estética, como no primeiro", diz fonte oficial da Fnac.

Termómetros viram crescer vendas "mais de 500%" seguidos por massajadores, balanças (de diagnóstico e análise corporal), tratamento facial, medidores de tensão e máquinas de cortar cabelo (acima dos 30%) têm sido os produtos mais procurados. "Tem existido também uma grande procura por Oxímetros" (medem a quantidade de oxigénio no sangue).

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