Salários caíram mas portugueses estão a viver melhor com menos

Há menos dinheiro ao fim do mês
Há menos dinheiro ao fim do mês

A crise económica está a provocar alterações na forma como os portugueses vivem. E isso não quer só dizer que as privações estejam apenas a provocar uma degradação das condições de vida. A Pordata diz exactamente o contrário: os portugueses estão, sim, a viver com menos, mas estão a viver melhor.

É que enquanto o índice das condições materiais de vida está em queda desde 2004, tendo já atingido um mínimo desde o início desta série, para os 86,8 pontos; o índice da qualidade de vida não pára de aumentar desde aí, e está já em 116,5 pontos.

A confirmar que as famílias estão a conseguir viver melhor com menos está também a evolução do rendimento médio disponível que é agora de 73,6% do PIB, depois de um aumento sustentado durante dez anos, de uma manutenção durante os primeiros anos do novo século e uma descida considerável nos últimos quatro.Recorde-se que em 1960, o rendimento em função do produto era superior: 78,4% do PIB.

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Também os ordenados e salários estão em queda livre, representando em 2013 37% do PIB. Nunca o valor foi tão baixo na análise da Pordata, que começa em 1960. É que neste ano, quando o País ainda vivia sem democracia, os salários pesavam 46,8% do PIB.

E se vivem com menos rendimentos e salários, também vivem com menos consumo, porque estão mais poupados desde 2011 – o ano do pedido de resgate financeiro.

Ou seja, com a redução de rendimento, os portugueses também colocaram um travão ao consumo e gastam muito menos e, por isso, a poupança representa já 9,3% do PIB. Este é o valor mais elevado desde 1990, que diverge da evolução dos rendimentos.

Se for feita uma análise da poupança bruta em função do rendimento disponível, os valores voltam a surpreender: os portugueses estão a poupar 12,6% do seu rendimento total.

Mas que se desengane quem acha que em Portugal se vive apenas do salário. Os números da Pordata mostram que apenas 50,3% do ordenado das famílias corresponde à totalidade de rendimento dos portugueses, um valor que tem sido consistente ao longo dos anos.

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