Salários das diferentes gerações pouco fogem aos 600 euros

Compressão pode ser explicada por contratação coletiva e salário mínimo nacional, diz estudo da Fundação Calouste Gulbenkian.

As gerações mais novas estão em vantagem numa maior escolaridade, e em pior posição em aspetos como a permanência dos vínculos de trabalho ou o acesso a prestações com o subsídio de desemprego. Mas, a nível salarial, não há muitas diferenças. Há uma mediana salarial de 600 euros, em termos reais, a atravessar várias gerações.

A conclusão é do estudo "A equidade intergeracional no trabalho em Portugal", do investigador Pedro S. Martins, para a Fundação Calouste Gulbenkian, que analisou o percurso de diferentes gerações portuguesas no mercado de trabalho ao longo do tempo.
No que toca a salários, a conclusão é a de que há uma forte convergência nos rendimentos de trabalho para todas as gerações nascidas entre os anos 20 e os anos 90 do século passado, num período que vai de 1986 a 2018, mas esta é uma convergência "num patamar particularmente baixo".

Afinal, "grande parte das gerações, ao longo do período considerado, apresentam salários medianos mensais reais de 600 euros", aponta o estudo que teve como base principal de trabalho os microdados dos quadros de pessoal que reúnem a informação anual transmitida pelas empresas ao Ministério do Trabalho.

Aqui, está em causa o salário base, com poucas exceções no posicionamento neste patamar, mas também no sentido descendente. As medianas são mais baixas que os 600 euros indicados no caso dos jovens nos anos iniciais do mercado de trabalho e dos trabalhadores mais velhos já nos anos finais. Já no salário total, que inclui complementos, as medianas salariais das diferentes gerações andam em torno dos 700 euros, mas com maior dispersão.

As conclusões são semelhantes quando se analisam valores médios de remunerações. Os salários base convergem para 900 euros, e os salários totais para 1100 euros.

O estudo aponta diferentes causas para a compressão salarial verificada. Por um lado, a maior escolaridade entre as gerações mais novas tende a ser compensada pela maior antiguidade e experiência das gerações anteriores, equilibrando os rendimentos, admite-se. Mas, o autor aponta também ao papel da contratação coletiva e à evolução recente do salário mínimo para explicar o nivelamento salarial das diferentes gerações. "Se o valor deste instrumento de política económica e de rendimentos for relativamente elevado, a diferenciação salarial entre gerações poderá sair reduzida", defende.

Quanto à prevalência do salário mínimo, o estudo conclui que durante a segunda metade da década de 2010, verifica-se o crescimento do peso do salário mínimo em praticamente todas as gerações. Em particular, entre as novas gerações, 30% recebem o salário mínimo nos anos de entrada no mercado de trabalho, com a percentagem a cair anos mais tarde. Com uma exceção: os nascidos nos anos 90, onde o peso do salário mínimo se mantém nos 30%.

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