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Salários já estão a cair no Centro e Algarve. Norte e Grande Lisboa aguentam-se

António Costa visita casas em construção. Fotografia: RODRIGO ANTUNES/LUSA
António Costa visita casas em construção. Fotografia: RODRIGO ANTUNES/LUSA

Salário médio líquido nacional fraqueja, sobe apenas 2%, ritmo mais baixo em 2 anos e meio. Centro e Algarve empregam mais de 1,3 milhões de pessoas

O mercado de trabalho português está a enviar sinais contraditórios. A taxa de desemprego total caiu para 6,1% da população ativa no terceiro trimestre deste ano, o valor mais baixo em 16 anos e a taxa de desemprego jovem também aliviou ligeiramente para 17,9%, anunciou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Mas a que preço isto acontece? Há já regiões do país, como o Centro e o Algarve, que sofrem reduções nos respetivos salários médios nestes três meses (comparação homóloga, face a igual trimestre do ano passado). Estamos a falar de meses bastante marcados pelo ressurgimento dos empregos de verão, ligados ao maior fluxo do turismo (julho a setembro), sobretudo no Algarve, embora o Centro também já dê cartas neste setor.

Estas duas regiões juntas dão emprego a mais de 1,3 milhões de trabalhadores por conta de outrem, de acordo com o novo inquérito do INE.

Segundo as bases de dados do novo inquérito ao emprego do INE, o emprego continua a evoluir positivamente, mas com menos força do que no passado recente e os aumentos dos salários líquidos pagos aos trabalhadores por conta de outrem são cada vez mais magros.

Há atualmente mais de 4,9 milhões de pessoas a trabalhar no território nacional, isto na sequência de um aumento de 0,9% do emprego no terceiro trimestre. Mas trata-se da evolução mais fraca desde meados de 2016. O crescimento do emprego está a abrandar há sete trimestres seguidos.

De acordo com as séries retrospetivas do INE analisadas pelo Dinheiro Vivo, o salário médio líquido nacional avançou apenas 2% no terceiro trimestre deste ano face a igual período do ano passado, fixando-se agora nos 909 euros mensais, o que ajuda a explicar a contínua absorção de desempregados neste período, mesmo com o emprego a evoluir de forma mais vagarosa. Aquela subida é a mais baixa desde meados de 2017.

Face ao trimestre anterior (abril a junho), o salário líquido médio nacional até recua cerca de dois euros, naquela que é a maior quebra trimestral desde o início de 2014, estava o país a tentar ainda sair da crise e do programa de austeridade.

A média nacional esconde, no entanto, realidades regionais, umas mais negativas do que outras. Por exemplo, o rendimento salarial médio começou efetivamente a cair em duas regiões do País.

No Centro, região que emprega mais de 1,1 milhões de pessoas, o ordenado médio recuou 0,5% (para 846 euros), o que não acontecia há dois anos e meio.

O Algarve, onde trabalham 220 mil pessoas, também já começou a ressentir-se da compressão salarial. Segundo o INE, o salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem que lá residem recuou em termos homólogos 0,1% no terceiro trimestre (para 836 euros mensais), isto já depois de uma contração de 0,8% no segundo trimestre. O Algarve não experimentava desvalorizações salariais desde meados de 2016.

Salários evoluem acima da média nacional em Porto e Lisboa

Mas o clima depreciativo ainda não chegou a outros pontos do país. Os dados desagregados indicam que a região Norte (com 1,7 milhões de trabalhadores) teve o maior reforço do salário médio (mais 3,3%, para 854 euros líquidos neste terceiro trimestre), logo seguida da Grande Lisboa, onde o ordenado médio obteve um ganho de 3,1% (até 1064 euros mensais). A área metropolitana da capital tem, atualmente, 1,3 milhões de trabalhadores.

O inquérito ao emprego ontem divulgado pelo INE mostra que, embora a criação de emprego esteja a enfraquecer, há sinais que reforçam a ideia de que a precariedade pode não estar a piorar.

A subida homóloga do emprego foi essencialmente explicada pelo aumento de 3,1% no número de contratos sem termo, que agora abrangem quase 3,3 milhões de pessoas.

O emprego a prazo recuou 6,4%, para 712,3 mil casos. O trabalho a tempo parcial desceu quase 3%, para 490,3 mil pessoas.

Em contrapartida, há outra vez mais pessoas a ficarem presas ao desemprego durante mais tempo, o que é visto como um problema social e económico muito grave pelos especialistas e pelo governo.

O INE alerta que mais de metade dos desempregados (52,4%) está há procura de trabalho há um ano ou mais. Em Portugal existem 169,3 mil desempregados, deste tipo, “de longa duração”.

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