Moçambique

Salimo Abdula defende vertente económica na CPLP 

O empresário moçambicano Salimo Abdula 
(Orlando Almeida/Global Imagens)
O empresário moçambicano Salimo Abdula (Orlando Almeida/Global Imagens)

Moçambicano que lidera Comunidade Empresarial da organização destaca o papel de Portugal no desenvolvimento daqueles países.

Muçulmano, nascido numa família humilde em Moçambique há 54 anos, Salimo Abdula conseguiu chegar à universidade e tornar-se um dos empresários mais bem-sucedidos do país. Ao Dinheiro Vivo, o também líder da Confederação Empresarial da CPLP, fala das dificuldades do país e do potencial por explorar de Moçambique e da organização de países que partilham a língua portuguesa.

 

“É o casamento correto”, diz Salimo Abdula, líder da Comunidade Empresarial da CPLP. “Mais do que nunca”, Portugal deve assumir um papel relevante no desenvolvimento de países como Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. “Está na hora de despir os tabus dos períodos de colonizadores e colonizados”, defende o empresário moçambicano, que quer dar uma vertente económica à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Só assim a organização terá verdadeiro poder, acredita.

Para Salimo, turismo, serviços, agroindústria e oil&gas são quatro vetores potenciais da CPLP que poderiam usufruir “deste veículo que é a comunicação”. É a chave que podia dar “economia de escala” aos países da comunidade. “Se atuarmos bilateralmente não nos safamos, mas se nos unirmos com os recursos e a tecnologia numa CPLP económica, em algumas décadas conseguiremos entrar para os grandes players da economia global e tornar-nos relevantes.”

Só no oil&gas, os países africanos de língua portuguesa “serão responsáveis de 25% da produção mundial”, diz, sublinhando a importância de facilitar a circulação de pessoas e bens dentro da organização. “Todos estão de acordo que facilitar a questão dos vistos traria vantagem, mas depois não se anda para a frente.” Esse é um dos elementos em que Salimo Abdula está disposto a marcar o caminho.

Estrago das dívidas ocultas

Moçambique pode desempenhar um papel nesta equação, assim consiga que se concretizem os prometidos investimentos a norte – que têm vindo a sofrer os efeitos de violentos focos de ataques locais, mas também foram afetados pelo caso das dívidas ocultas ao FMI. Ao Dinheiro Vivo, o empresário – que foi deputado da Frelimo entre 1994 e 1999 e próximo do ex-presidente Armando Guebuza – diz que tem acompanhado as notícias “com tristeza”, mas alguma cautela. “Nestas coisas há muito aproveitamento político e às vezes somos vítimas do processo.” Mas é claro: “Se há quem tenha beneficiado de situações de forma ilegal, que seja punido pela justiça.” Mesmo pelo terrível efeito negativo no desenvolvimento do país. “Como presidente da confederação, fui a vários países vender Moçambique com orgulho do nosso caminho e havia muita gente a querer investir. Agora a reputação do país degradou-se, a imagem ficou chamuscada de um dia para o outro.”

Para garantir que Moçambique não continua vulnerável a este tipo de questões, Salimo defende um combate sério e duro à corrupção em todo o país, em todas as estruturas e a começar pela educação, de forma a que “os moçambicanos deixem de tolerar como normal este tipo de comportamento altamente corrosivo”.

Gás vai avançar

Também em relação aos problemas de insegurança o empresário é implacável: é preciso “matar a pulga para Moçambique continuar a gozar de investimentos transversais – não só no setor energético”.

Os projetos no gás, assegura, “vão avançar, as grandes empresas já o sinalizaram e já vi casos piores em que a falta de segurança não impediu que se concretizasse nada. Até porque o país está numa posição geoestratégica privilegiada, virado para China e Índia, é diplomaticamente bem relacionado… Agora, há que ir além da energia, olhar para os serviços, a agroindústria e entender que precisamos de capitais que não existem em Moçambique, como a tecnologia”. Razão pela qual Salimo Abdula defende “parcerias inteligentes” entre Estados membros da CPLP.

“Temos este valor agregado que é a língua, que representa 17% na economia das PME e não estamos a capitalizar isso”, lamenta.

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