OCDE

Santos Pereira. Governo quis tirar palavra corrupção de relatório da OCDE

Álvaro Santos Pereira (ao centro), ex-ministro da Economia, a chegar 
à Comissão Parlamentar de Inquérito ao Pagamento de Rendas Excessivas da Eletricidade. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Álvaro Santos Pereira (ao centro), ex-ministro da Economia, a chegar à Comissão Parlamentar de Inquérito ao Pagamento de Rendas Excessivas da Eletricidade. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O antigo ministro Álvaro Santos Pereira disse, esta quarta-feira, no parlamento que houve “algum incómodo” e que um membro do Governo e a delegação portuguesa na OCDE quiseram remover a palavra corrupção do relatório da OCDE sobre Portugal, divulgado em fevereiro.

“Houve pelo menos algum incómodo. Quer a delegação portuguesa na OCDE, quer mais tarde um membro do Governo revelaram algumas preocupações com o relatório, nomeadamente manifestaram a sua intenção de remover a palavra corrupção do relatório, porque disseram que o problema da corrupção em Portugal não é dos mais graves”, afirmou hoje Álvaro Santos Pereira, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O antigo ministro falava na qualidade de relator do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre as perspetivas económicas para Portugal – Economic Survey, na parte que se refere à reforma da justiça e à corrupção, a requerimento do PSD.

Álvaro Santos Pereira explicou que “a equipa que representou Portugal no comité era liderado pelo secretário de estado das Finanças Mourinho Félix”.

“Nada do que está neste relatório é extremamente controverso, o que não podíamos aceitar é só porque um Governo diz que não gosta da palavra corrupção, essa palavra não apareça”, frisou Álvaro Santos Pereira.

O diretor da OCDE referiu ainda que houve um outro país, “também latino”, que tentou que “não aparecessem gráficos de corrupção” e sublinhou que “em todos os países, desde a Dinamarca à Suécia, até Portugal, Itália e outros a questão da corrupção é central”.

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