Coronavírus

Santos Silva: Proposta franco-alemã coloca fundo da UE perto da bazuca

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva  (MIGUEL A. LOPES/LUSA)
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva (MIGUEL A. LOPES/LUSA)

A proposta franco-alemã para o fundo de recuperação coloca a resposta europeia à crise “perto da bazuca”, considerou hoje Augusto Santos Silva, sublinhando que, a ser aprovada, ela eleva o valor global além do bilião de euros.

“Se esta proposta vencer estaremos perto” da bazuca, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, utilizando a expressão usada pelo primeiro-ministro, António Costa, que disse ser necessário saber se a União Europeia (UE) vai disponibilizar “uma fisga ou uma bazuca”, para saber “o poder de fogo” do plano de resposta à crise provocada pela pandemia de covid-19.

Recordando que o objetivo é um montante global da ordem de um bilião, Santos Silva, entrevistado para o podcast do PS “Política com Palavra”, frisou que o plano franco-alemão, no valor de 500 mil milhões de euros, se junta, se for aprovado, ao pacote de 540 mil milhões de euros do Eurogrupo, ultrapassando o bilião de euros (um milhão de milhões).

Augusto Santos Silva frisou que a decisão ainda não está tomada, porque o plano tem de ser aprovado por consenso no Conselho Europeu, mas admite que ter a Alemanha do lado dos que defendem “uma resposta europeia que não deixe cada país sozinho”, “faz a diferença” e acrescenta “capacidade de persuasão no Conselho Europeu para chegar à unanimidade”.

“O facto de a Alemanha ter endossado esta proposta é muito importante, não para Portugal, Itália, Espanha ou França, é muito importante para o conjunto da União Europeia”, disse.

As reservas dos chamados países “frugais” – Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia – a um plano de recuperação assente em subsídios ou financiado pela emissão comum de dívida, como prevê o plano franco-alemão, devem-se, segundo o ministro, a “miopia económica”, ou “a incapacidade de olhar a uma certa distância”.

Santos Silva defendeu a necessidade de “olhar com cuidado” para as previsões económicas da Comissão Europeia, que anteveem “uma pancada brutal” na economia europeia em 2020, mas também uma “recuperação económica imediata” nos dois anos seguintes.

“Se reparar, [as previsões] são mais ou menos equivalentes para todos os Estados-membros. A Suécia, a Holanda, a Alemanha, têm previsões de queda do produto iguais ou superiores às de Portugal e, portanto, esta é uma crise que nos toca a todos”, salientou.

Noutro passo, e questionado sobre o impacto da pandemia na presidência portuguesa da UE, no primeiro semestre de 2021, o ministro afirmou que a questão se coloca sobretudo do ponto de vista logístico.

“Estamos neste momento a trabalhar com um plano A, um plano B um plano C”, disse.

O plano A, dependente de não haver uma segunda vaga e as condições de mobilidade estarem adquiridas, passa por reuniões informais “distribuídas pelo território português, uma cimeira informal dos líderes no Porto e a sede da presidência aqui no Centro Cultural de Belém”.

O plano B, numa situação de mobilidade um pouco mais reduzida, implica a redução do número das reuniões presenciais e o recurso a reuniões, por exemplo, por videoconferência, e o C, o pior dos cenários, com uma mobilidade suspensa, em que “o essencial da logística” assentará na dimensão digital.

“Mas, qualquer que seja o plano que do ponto de vista logístico venha a efetivar-se, do ponto de vista político a presidência portuguesa vai ser, como as anteriores, abrangente, bem sucedida e um contributo positivo para a integração europeia”, disse.

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