Health Cluster

“Saúde deve assumir um papel central na retoma do país”

Salvador de Mello., CEO da José de Mello Saúde. Fotografia: Tony Dias/Global Imagens
Salvador de Mello., CEO da José de Mello Saúde. Fotografia: Tony Dias/Global Imagens

Salvador de Mello defende “enorme potencial” do setor da saúde, que pode e deve assumir-se como “estratégico” para o país.

Nos primeiros três meses do ano, enquanto as exportações nacionais de bens caíram 3,3% relativamente a março de 2019, as vendas portuguesas de saúde ao exterior cresceram quase 9%. Foram 377 milhões de euros (números da Aicep e INE) que revelam os esforços desenvolvidos pelas empresas do setor e que o põem um passo mais perto do objetivo delineado para 2025, de ir além dos 2,5 mil milhões em exportações de saúde.

“As empresas do cluster têm demonstrado forte capacidade de adaptação”, diz Salvador de Mello. Em declarações ao Dinheiro Vivo, o presidente do Health Cluster Portugal (HCP) sublinha que estes resultados vêm “do trabalho persistente e de fundo que o setor tem vindo a desenvolver há anos – há muito de maratona e de longo prazo na construção da competitividade neste mercado global”.

O valor das vendas inclui o fabrico de produtos e preparados farmacêuticos, mas também meios sofisticados aqui produzidos, como equipamento de radiação e eletromedicina ou instrumentos e material médico-cirúrgico, com o setor a representar um volume de negócios anual na ordem dos 30 mil milhões para a economia nacional e um valor acrescentado bruto de cerca de 9 mil milhões. Números que Salvador de Mello acredita que vão continuar a melhorar, sobretudo nesta fase em que a saúde ganha especial importância. “Temos de continuar a aprofundar e consolidar esta trajetória, o que passa, entre outras opções, por assumir definitivamente este como um setor estratégico nacional.”

O universo em causa não é de desprezar: são perto de 90 mil empresas e quase 300 mil pessoas que esta ambição, bem trabalhada, pode multiplicar, com efeitos sólidos a economia portuguesa. Mas há muito trabalho pela frente – “no reforço da internacionalização das empresas e captação de investimento direto estrangeiro; na promoção da I&D, da inovação e do empreendedorismo; no reforço do capital humano e criação de emprego; na redução dos custos de contexto; e no reforço da eficiência do sistema de saúde”, admite o presidente do HCP. E esse esforço requer a participação concertada de todos: da academia às empresas, passando por hospitais, departamentos e agências governamentais e reguladores.

“A saúde deve assumir um papel central na estratégia de recuperação económica do país”, sublinha Salvador de Mello, afirmando que o Health Cluster tem vindo a trabalhar nesse sentido desde bem antes da covid, envolvendo os principais atores. “Foi, aliás, nesse sentido que em março do ano passado assinámos com o governo português o Pacto para a Competitividade e Internacionalização da Saúde”, exemplifica.

Reconhecendo a urgência de agir com determinação neste momento, Salvador de Mello frisa ainda o “enorme potencial a concretizar” na industrialização, na inovação, nos dados e na digitalização. E conclui: “O olhar do governo para a saúde e o peso estratégico que lhe dermos serão determinantes para o sucesso.

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