Schäuble oferece a Grécia aos EUA em troca de Porto Rico

Wolfgang Schäuble
Wolfgang Schäuble

O ministro das Finanças alemão é conhecido por ser um homem de respostas rápidas e incisivas, mas não por um sentido de humor demolidor. Hoje, aconteceu a exceção que confirma a regra. Na conferência do Bundesbank, em Frankfurt, Wolfgang Schäuble, disse, em tom de piada, que a União Europeia podia ficar com Porto Rico (país da área do dólar que está na bancarrota) se os Estados Unidos ficassem com a Grécia.

Piada demolidora, nem que seja no sentido literal, já que surge a três dias da reunião final que ditará ou não um acordo sólido e duradouro entre os credores e a Grécia. Acordo que, dizem, poderá evitar o pior: a saída da Grécia do euro e/ou a destruição total dos bancos gregos e do tecido economico-social do país com 11 milhões de habitantes.

“Num dia destes fiz uma oferta ao meu amigo Jack Lew [o seu homólogo norte-americano, secretário de Estado do Tesouro do governo Obama], poderíamos ficar com Porto Rico na zona euro se os Estados Unidos estivessem dispostos a ficar com a Grécia na união do dólar”, atirou Schäuble, um dos ministros mais duros e inflexíveis nesta crise histórica da moeda única. A citação foi retirada da Bloomberg, que acompanhou a conferência em Frankfurt.

Jack Lew “julgou que era uma piada”, acrescentou ainda o membro do Executivo de Angela Merkel, para espanto de muitos.

Seria com certeza uma piada, ainda que o racional financeiro do responsável alemão possa ter algum peso aqui. É que a dívida pública total da Grécia ascenderá a 313 mil milhões de euros ou cerca de 175% do PIB (valores de final de março apurados pela agência da dívida helénica).

Já a dívida da pequena ilha das Caraíbas, que é considerada tecnicamente parte integrante da zona dólar, estará nos 65 mil milhões de euros ou 70% do PIB insular (cerca de 72 mil milhões de dólares).

Curiosamente, para efeitos de gestão de dívida, Porto Rico está por sua conta e risco, o que torna o território o único responsável pelo endividamento contraído e diretamente penalizado em caso de default, não implicando o acionamento de dispositivos federais nessa matéria, por exemplo.

No mesmo evento, Schäuble aceitou que a dívida grega é insustentável sem medidas de alívio (fazendo eco das propostas do FMI e do próprio Lew), mas atirou logo que agora (e tão cedo) não há condições para debater esse assunto.

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