Telecomunicações

Se hoje o ecrã ficar a negro, é apenas o retomar da TDT

Fotografia: Carlos Santos/Global Imagens
Fotografia: Carlos Santos/Global Imagens

Depois da pandemia impor a paragem do processo de migração em março, a mudança da sintonia dos canais recomeça hoje, para abrir caminho ao 5G.

Se residir no distrito de Portalegre, na zona servida pelo emissor de Alter do Chão, e esta manhã, quando estiver a ver o seu programa favorito nos canais generalistas transmitidos pela Televisão Digital Terrestre (TDT), o ecrã do seu televisor ficar a negro, não se preocupe – é apenas o retomar do progresso de migração dos emissores da TDT. Alter do Chão é o primeiro de 180 emissores que, até ao final do ano, terão de mudar as faixas em que são transmitidos os canais RTP, SIC ou TVI, para serem ocupadas pela rede 5G, com arranque previsto para 2020. Santarém e Castelo Branco são os distritos que se seguem. O processo tem fim previsto para 18 de dezembro, mas a Altice admite que a pandemia e a migração no Norte e nas ilhas, a decorrer no inverno, são “fatores de incerteza” que podem condicionar as operações.

Até 13 de março, altura em que a covid-19 obrigou à suspensão da migração da rede de emissores em Couço (distrito de Santarém), tinham sido alterados 63 dos 243 emissores da rede TDT. A retoma do processo chegou a ser apontada para 3 de agosto, mas o número de casos de infeção na Grande Lisboa, e a “indisponibilidade” de um dos fornecedores do Meo para prestar no terreno os serviços de ressintonia dos emissores, devido à pandemia, fez com que deslizasse no calendário para 12 de agosto e que, em vez de Palmela, recomeçasse no distrito de Portalegre.

“A Altice Portugal terá uma equipa dedicada para a assegurar a operação de ressintonia da TDT em Alter do Chão. Em breve, contaremos ainda com o envolvimento de elementos de equipas dos fornecedores dos equipamentos, provenientes da Alemanha e Itália”, informa fonte oficial da Altice Portugal, empresa que tem a concessão da rede TDT e é responsável pelo processo de migração.

Alter do Chão é, assim, o primeiro dos 180 que faltam ser ressintonizados, seguindo-se, ainda no distrito de Portalegre, o de Sousel (17 de agosto); o de Elvas (a 18); Campo Maior e Arronches (a 19); Castelo de Vide e Nisa (a 20) e o emissor do Gavião (a 21). Nesse mesmo dia será alterado o emissor de Mação, no distrito de Santarém. A mudança no distrito de Castelo Branco arranca em Vila de Rei (a 24), depois Sertã (2 de setembro), seguida de Bufão e Avis nos dias seguintes, Estremoz – Quinta da Esperança (a 7), Estremoz (a 8), seguidos de Portalegre e Marvão (9 e 10), Penedo Gordo (a 11) e Carpinteira – Covilhã (a 14). A 15 de setembro as equipas da Altice Portugal irão fazer a mudança das torres de Oleiros e Reitoria-Covilhã e, no dia seguinte, nas de Penamacor, Barroca Grande e Machialinho. Seguem-se Gardunha (a 17) e Terras de Monfortinho (a 18). O processo de migração dos emissores na região 4 termina a 22 de setembro, em Mosteiro, abrangendo 28 emissores distribuídos por três distritos.

Pandemia e inverno são “fatores de incerteza”

As datas para mudar os 152 emissores remanescentes ainda não são conhecidas. A pandemia e a migração na zona Norte do país e nas regiões autónomas que decorre até ao início do inverno – algo que se tinha procurado evitar no plano inicial que arrancou no início do ano – pode condicionar os trabalhos do ponto de vista operacional, admite a Altice.

 

 

Mapa TDT

 

“No que concerne ao calendário de migração previsto para o resto do país, a Altice Portugal esclarece que está pronta, mas que devido ao contexto adverso que vivemos, podem existir fatores de incerteza, nomeadamente a impossibilidade das equipas estrangeiras viajarem para Portugal, assim como condições atmosféricas adversas, próprias da estação, que podem condicionar as operações do ponto de vista técnico e operacional”, reconhece fonte oficial da operadora.

“A Altice Portugal concluiu já todos os trabalhos exteriores, facilitando assim toda a operação e possíveis limitações da mesma. Caso o acesso a estações remotas esteja de alguma forma condicionado por condições atmosféricas adversas, a Altice Portugal operará em estreita ligação com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, seguindo todas as suas medidas e orientações”, ressalva.

O que tem de fazer para continuar a ver televisão?

Quem vê televisão através do emissor de São Mamede, em Portalegre, não será afetado, já que este não muda de frequência. Saberá se foi abrangido se o seu televisor ficar sem imagem, mas antes disso deverá receber pelo correio uma carta ou um folheto a avisá-lo.

Para continuar a ver os canais tem apenas de fazer uma nova sintonia no televisor ou no descodificador de TDT. Não é necessário substituir ou reorientar a antena, trocar de aparelho de televisão ou de descodificador, nem subscrever serviços de TV paga. “No caso dos condomínios/edifícios que tenham instalações com amplificadores mono canal poderão ter que os substituir”, informa a Anacom, o regulador das telecomunicações.

Para ajudar neste processo, a Anacom criou, inclusive, uma linha telefónica de apoio gratuita (800 102 002), para a qual pode ligar todos os dias, a partir de 3 de agosto, entre as 9 e as 22 horas. Se mesmo assim não conseguir fazer a sintonia dos equipamentos, o regulador irá agendar uma visita a sua casa, com técnicos seus e sem custos. “De 7 de fevereiro a 10 de agosto, recebemos 25.989 chamadas. Fomos a 1060 casas dar apoio”, adiantou fonte oficial da Anacom ao Dinheiro Vivo.

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