“Se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou”

António Costa, candidato à liderança do PS
António Costa, candidato à liderança do PS

O dirigente socialista António Costa alertou que se o PS pensar como a direita, acabará por governar como esta, enaltecendo os governos de Guterres e Sócrates e considerando que os socialistas são europeístas mas não podem ser "euro ingénuos".

António Costa falava no Porto, na apresentação da sua candidatura às eleições primárias do PS e, consequentemente, a secretário-geral, onde defendeu que “não basta garantir uma simples alternância” sem alternativa, já que isso só “servirá para criar mais desilusão, mais descrença, mais desconfiança”.

“Não tenhamos dúvidas: se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou. A mudança necessária exige rutura com a atual maioria e a sua política”, enfatizou.

Criticando o governo de direita por ter dividido, explorado os piores sentimentos e rivalidades, ter atirado os portugueses uns contra os outros e diabolizado grupos etários, sociais e profissionais, o presidente da Câmara de Lisboa enumerou aquilo de que o país precisa e pelo qual se compromete a lutar.

“Portugal precisa de pacificação e os portugueses anseiam por estabilidade no seu quotidiano. O PS lutará pela coesão, promoverá compromissos, estimulará as parcerias, a concertação, o trabalho em rede e a responsabilidade solidária. Numa palavra, unirá os portugueses para mobilizar Portugal”, disse.

Para António Costa, “o PS deve orgulhar-se da visão estratégica que enunciou o Governo liderado por António Guterres e do impulso reformista com que, sob a liderança de José Sócrates, assumiu o Governo em 2005”.

“Contudo, estávamos ainda especialmente vulneráveis quando em 2008 se desencadeou a maior crise mundial dos últimos 80 anos e a Europa falhou, primeiro por hesitação, depois pela sucessão de estratégias contraditórias e, finalmente, por dogmatismo ideológico, na resposta à crise”, justificou.

O candidato à liderança socialista considera, por isso, que “o erro de diagnóstico conduziu ao erro na terapia” e a insistência na austeridade só continuará a agravar esta situação.

“Há que recuperar o tempo perdido”, defendeu, realçando que “parte importante da solução” dos problemas de Portugal “exige uma mudança na Europa”, para a qual é preciso um governo que “não abdique” de contribuir para que isso aconteça e se “bata pela defesa dos interesses nacionais”.

Para Costa, a fórmula dos socialistas está traçada: “somos europeístas mas não podemos ser euro ingénuos”.

Apesar de Portugal não depender só de si próprio, o dirigente socialista considera que o país não pode adiar aquilo pelo qual é unicamente responsável.

“Temos que ser ao mesmo tempo idealistas e realistas. Realistas porque não nos iludimos, conhecemos as realidades e os constrangimentos. Idealistas porque temos ideais, valores e princípios que inspiram o nosso programa e têm de marcar a nossa governação”, defendeu.

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