Sector automóvel é motor da economia e emprega 51 mil pessoas

Em dia de greve na maior fábrica do país, a Autoeuropa, o retrato económico do sector que exporta 11% do total nacional.

O sector automóvel português, que está ancorado em quatro grandes fábricas de montagem e centenas de pequenas e médias fábricas suas fornecedoras, é um dos mais dinâmicos e avançados da economia portuguesa.

É responsável por 11% das exportações totais de mercadorias e empregará, segundo cálculos do Dinheiro Vivo com recurso a dados das associações do sector, mais de 51 mil pessoas.

Segundo dados obtidos junto da AFIA - Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, o número de postos de trabalho no subsector do fabrico dos componentes automóveis representa a fatia de leão. Empregava uma média de 46,5 mil pessoas em 2016, mais 3% face a 2015, o triplo da expansão do emprego nacional (dados do INE).

Este subsector composto hoje por 220 empresas (muitas metalomecânicas, por exemplo) e 240 fábricas fornece as quatro grandes fabricantes que atualmente operam em Portugal: Autoeuropa (Volkswagen, em Palmela), PSA (Peugeot e Citroën, em Mangualde), Mitsubishi Fuso Trucks (Tramagal) e Toyota Caetano (Ovar).

Hoje, quarta-feira, os trabalhadores da Autoeuropa, a maior fábrica nacional, cumprem um dia de greve, iniciativa que levou já o grupo alemão da Volkswagen a ameaçar com deslocalização parcial da produção para a terra-mãe, a Alemanha.

Chantagem ou verdadeira ameaça, o sector automóvel como um todo (as tais quatro linhas de montagem, a fileira dos componentes e outras tantas fábricas de moldes), tem sido um importante alicerce do emprego e da riqueza produzida no país e estavam, no final do primeiro semestre, a exportar mais 7,4% do que no mesmo período de 2016.

Ainda segundo o INE, o sector dos “veículos automóveis” é um importante motor de inovação e de valor na economia. Em 2016, exportou mais de 5,2 mil milhões de euros, 11% do total nacional. Este ano irá pelo menos caminho, provavelmente até pode superar os 6 mil milhões de euros exportados pois este ano a Autoeuropa está a produzir mais carros do que o ano passado.

A primeira greve a sério

Como referido, os trabalhadores da Autoeuropa convocaram uma greve inédita (fora das greves gerais) na história desta fábrica, fundada há 26 anos, em 1991. Começaram às 23h30 de ontem. Estão contra a proposta de novo horário de trabalho.

Para responder à procura pelo T-Roc, o novo utilitário desportivo (SUV) da VW, a empresa quer que a fábrica passe a funcionar em 18 turnos, seis dias por semana, a partir de fevereiro, e que os trabalhadores laborem entre segunda-feira e sábado, com folga fixa ao domingo e uma folga rotativa a meio da semana.

Em troca, a administração elaborou um pré-acordo com a comissão de trabalhadores que previa um aumento mínimo do salário de 16%, um bónus de 175 euros, a redução do horário para 38,2 horas e a atribuição de mais um dia de férias. Três quartos dos trabalhadores (74,8%) recusaram a proposta no final de julho.

Os sindicatos defendem o novo regime é prejudicial para a saúde. O SITE Sul – Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras do Sul – viu a administração recusar a proposta para criar um turno especial ao sábado e domingo.

Sem acordo, o grupo alemão já admitiu deslocalizar parte da produção para fábricas na Alemanha. “Não acreditamos que a VW faça isso. É uma chantagem”, respondeu o sindicato.

Até lá, o grupo alemão e o Governo esperam que empresa e trabalhadores cheguem a um consenso. Em caso de forte adesão, poderá estar em causa a saída de 400 veículos das linhas de montagem. O impacto na produção pode chegar aos cinco milhões de euros.

Fornecedores contratam

O fabrico do modelo T-Roc está a levar as fornecedoras da Autoeuropa a contratar trabalhadores até ao final deste ano, antes de a montagem do veículo utilitário desportivo entrar em velocidade de cruzeiro.

“A produção do modelo T-Roc da Autoeuropa está com uma cadência de produção ainda baixa, e ainda estarão a ser recrutadas pessoas durante os próximos tempos”, refere ao Dinheiro Vivo a direção da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).

Informação corroborada pela coordenadora das comissões de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa. Só no início do próximo ano “pode ser avaliado o impacto de postos de trabalho a serem criados”, acrescenta a associação.

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