Banco de Portugal

Alojamento local já é quase do tamanho do sector hoteleiro

Alojamento local tinha 161 mil camas, aproximando-se do hoteleiro, com 211 mil camas disponíveis, mostra o Banco de Portugal, num estudo sobre o tema.

O número total de camas disponibilizadas pelas empresas de alojamento local (AL) em Portugal já equivale a mais de 76% da capacidade instalada no sector hoteleiro, indicam dados oficiais citados num estudo do Banco de Portugal (BdP) incluído no boletim económico do inverno, divulgado esta terça-feira.

Isto é, no final de 2017, todos os alojamentos locais tinham mais de 161 mil camas disponíveis. Os hotéis tinham 211 mil. Os AL cresceram 75% no ano passado (camas disponíveis); as unidades hoteleiras aumentaram apenas em 4% a sua oferta.

E o banco central avança com alguns dados referentes ao primeiro semestre de 2018. Diz que na primeira metade deste ano observou-se “um crescimento homólogo de 56% do número de estabelecimentos de alojamento local com menos de 10 camas, equivalendo a mais 42 mil camas”. Portanto, nesta categoria dos AL mais pequenos, Portugal dispunha, em meados deste ano, de 136 mil camas ou mais.

O alojamento local está dividido em duas categorias. Os que disponibilizam menos de dez camas e os de maior dimensão, com mais de 10 camas cada.

Recorde-se que o negócio do alojamento local começou por ser de arrendamento temporário de pequenos andares, sobretudo no centro das principais cidades (Lisboa, Porto), tendo sido sobretudo impulsionado e popularizado através de plataformas digitais como o Airbnb.

Entretanto, nos últimos anos, empresas e fundos de maior dimensão começaram a explorar ao máximo o modelo de AL, tendo por exemplo, prédios inteiros nos centros históricos das cidades dedicados ao negócio do alojamento temporário.

Segundo o Banco de Portugal, o dinamismo das exportações de turismo “tem sido acompanhado de um forte aumento da oferta de alojamento turístico, em particular nos anos recentes”.

“No período 2013-17, o número de camas em estabelecimentos [todos os turísticos] com 10 ou mais camas (estatísticas do INE) cresceu cerca de 23% em termos acumulados, enquanto o aumento do número de estabelecimentos foi bastante superior (cerca de 75%).”

“Para o crescimento do número de camas, o maior contributo foi dado pelo alojamento local onde, entre 2013 e 2017, aumentaram 62% (o aumento de estabelecimentos em alojamento local foi de 163%).”

Segundo o Banco de Portugal, tendo em conta o número total da oferta de camas, “as regiões que mais contribuíram para o aumento da capacidade foram a área metropolitana de Lisboa, o Algarve e o Norte”, lê-se no boletim do banco central.

camas alojamento local

Alojamento local está concentrado em Lisboa, Algarve e Norte

“O alojamento local com menos de 10 camas tem vindo a ganhar importância no panorama turístico nacional”, como já se referiu.

De acordo com os dados do Registo Nacional de Alojamento Local, em 2017, houve “18 mil inscrições de alojamento local com menos de 10 camas, implicando um aumento de 59 mil camas face a 2016 (em 2016, o aumento tinha sido de 36 mil camas).

“Em termos de capacidade total, o total dos registos de alojamento local com menos de 10 camas realizados em 2016 e 2017 totaliza 23% do stock de camas da restante oferta de alojamento total reportada pelo INE nas Estatísticas do Turismo para 2017.”

O banco central faz só uma observação relativamente a estes dados do AL.“Embora muito expressivo, este valor deve ser tomado com alguma reserva, porque os registos apenas capturam a entrada no stock de alojamento local, não eventuais saídas”.

A criação de alojamentos locais “está claramente concentrada no Algarve, na área metropolitana de Lisboa e, em menor grau, no Norte”.

Em 2017, estas três regiões congregavam “80% da criação de alojamento local” de menor dimensão (os tais com menos de dez camas).

No mesmo estudo, o BdP observa que “outro fator a contribuir para o dinamismo das exportações de turismo foi o crescimento da presença de companhias aéreas de baixo custo no mercado português. O número destas empresas a operar em Portugal aumentou de três em 2001 para mais de 15, atualmente”.

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