Eurostat

Privados nacionais perdem I&D para as universidades e têm maior queda da Europa

15694299140_Steven Zwerink2 - Flickr - Creative Commons

Privados portugueses só têm metade do bolo da alta tecnologia e foram os que, proporcionalmente, mais perderam na última década, na UE.

O sector privado português — empresas, fundações e organizações não lucrativas — está a perder peso para as universidades no esforço total de investimento em atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) e teve, nesta perspetiva, o maior declínio da Europa na última década.

A tendência geral na UE é para o sector privado ganhar peso na despesa com ciência, pesquisa e tecnologia. Portugal não acompanha, como referido.

Segundo o Eurostat, em 2006, o sector privado representava 56% do esforço de I&D total. Dez anos volvidos, os privados só têm metade do bolo da alta tecnologia. As empresas até reforçaram um pouco a sua presença, tendo ganho dois pontos percentuais do investimento total entre 2006 e 2016 (estão agora com 48%), mas do lado das fundações e instituições privadas não lucrativas o declínio é total e faz a diferença.

O Eurostat mostra que esse sector privado não lucrativo tinha um peso de 10% no I&D, mas hora a sua presença resume-se a uns meros 2%.

Há mais dois países que sentiram este fenómeno, embora não tão intenso como em Portugal. Foram Finlândia e Suécia, onde o sector privado perdeu 5 pontos percentuais do investimento total em tecnologias.

Universidades portuguesas roubam território aos privados

Visto de outro ângulo, o Eurostat mostra que o sector público, mais concretamente, as universidades foram as instituições que mais ganharam neste processo ao longo da última década que termina em 2016.

As universidades reforçaram o seu peso no I&D total de 32% em 2006 para uns expressivos 45%, a maior marca da Europa, juntamente com a Lituânia. A Bulgária é o país onde as universidades são menos proeminentes (apenas 5% em 2016). A média europeia ronda os 23%, estando estabilizada desde 2006.

Portugal: mais de 2,3 mil milhões de euros em I&D

O Eurostat mostra ainda que no ano passado, Portugal aplicou mais de 2,3 mil milhões de euros em atividades de I&D, o que representa um acréscimo de 48& face a 2006. É uma subida substancial e fica bem acima do progresso médio europeu, que avançou ainda assim 40% na última década, para um total de 302,2 mil milhões de euros em investimento tecnológico e de conhecimento.

Os países mais dinâmicos no I&D (maiores subidas em valor) foram Bulgária, Eslováquia e Polónia, que quase triplicaram o investimento nessa área.

Intensidade de I&D aquém da média e dos objetivos da agenda 2020

Como referido, Portugal registou um crescimento significativo do investimento total em atividades de I&D, mas continua muito longe quer da média europeia, quer da meta definida para 2020.

A média nacional diz que o I&D português equivalia a 1,3% do produto interno bruto (PIB) em 2016; a média da UE rondava os 2%. A meta de 2020 é 3%.

Sem surpresa, os países nórdicos são os mais intensivos em I&D. Suécia (3,25% do PIB), Áustria (3,1%), Alemanha e Dinamarca (ambos com 2,9%), Finlândia (2,75%). Os mais pobres em I&D são Roménia e Chipre (0,5% do PIB) e Bulgária (0,8%).

Fonte: Eurostat

Fonte: Eurostat

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Céu cinzento de Londres. Fotografia: D.R.

Portugal fora do corredor turístico britânico. Madeira e Açores entram

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão, acompanhado pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos (Foto: Mário Cruz/Lusa)

Recuperar poder de decisão na TAP obriga Estado a pagar mais

O presidente do conselho de administração da TAP, Miguel Frasquilho. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Frasquilho: Reestruturação da TAP “não vai ser isento de dor”

Privados nacionais perdem I&D para as universidades e têm maior queda da Europa