Coronavírus

Seis em cada 10 empresas com pessoal em teletrabalho na última semana

Trabalhadoras de um restaurante atendem clientes em regime de take-away, devido à pandemia de covid-19, em Lisboa. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Trabalhadoras de um restaurante atendem clientes em regime de take-away, devido à pandemia de covid-19, em Lisboa. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Alojamento e restauração regista o menor recurso ao trabalho remoto. Informação e comunicação o maior, refletindo menores reduções de pessoal.

Seis em cada 10 empresas, ou 58%, mantinham pessoal em teletrabalho na última semana, na qual se mantinha ainda o estado de emergência em vigor, apontam os últimos dados de inquérito do INE e Banco de Portugal para acompanhamento da situação económica devido à pandemia.

O recurso ao teletrabalho, questão colocada apenas nesta última edição do inquérito, prevalece nas grandes empresas e, como esperado, nos sectores menos dependentes de trabalho presencial e contactos pessoais como o sector da informação e comunicação, com uma percentagem de 84% dos quadros em teletrabalho. No extremo oposto, alojamento e restauração registam apenas 35% de empresas com trabalhadores em atividade remota, e também as mais frequentes reduções de pessoal ao serviço.

Os resultados do inquérito destacam que “o teletrabalho foi alternativa à redução do pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar nas empresas, nos casos em que tal foi possível e aplicável” e que “51% das empresas que reportaram não ter pessoas em teletrabalho, reportaram igualmente uma redução do pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar”.

Além das empresas de informação e comunicação, os sectores de transportes e armazenagem e outros serviços registam das percentagens mais elevadas de negócios com trabalho remoto, 76% e 77%, respetivamente, seguindo-se indústria e energia (61%), construção e atividades imobiliárias (53%), e comércio (47%).

Os resultados do inquérito mostram que foram as grandes empresas aquelas que maior capacidade tiveram de tirar proveito do teletrabalho, com 93% dos negócios em atividade a partir de casa. A percentagem cai nas médias empresas para 73%, nas pequenas para 48% e nas microempresas fica em meros 30%.

Os dados apontam ainda que as empresas com perfil exportador recorreram mais à atividade remota (72%) que os restantes negócios do país (53%).

Numa semana em que 84% das empresas se mantinham em funcionamento, mesmo que parcial, ligeiramente acima da semana anterior, o registo de quebras de volume de negócio era ainda bastante elevado, atingindo 79% dos negócios, assim como as reduções de pessoal. Eram sentidas em 57% das empresas, e apoiadas em mais de metade desses casos pelo recurso ao lay-off simplificado.

No que diz respeito às restantes medidas de apoio criadas pelo governo para lidar com os efeitos económicos da pandemia, a percentagem de empresas que está a beneficiar delas sobe um pouco, mas mantém-se ainda assim reduzida.

A suspensão do pagamento de impostos e contribuições para a Segurança Social já terá beneficiado 16% das empresas nacionais, segundo apontam os dados desta última semana quanto a esta que aparece como a medida de maior recurso. Já as moratórias da banca chegaram a 13% dos negócios. As linhas de crédito bonificadas atingem meros 4% nos resultados do inquérito, em linha com aquela que tem sido a perceção, e queixa, de organizações empresariais como a CIP ou CCP.

Atualizado às 12h55

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