Ministério dos Negócios Estrangeiros

Seixas da Costa: “Há negócios que não se fazem sem apoio político”

O embaixador Seixas da Costa
O embaixador Seixas da Costa

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) apresentou na semana
passada novos objectivos para as embaixadas, apontando a promoção
económica como prioridade. Mas na prática como é que isto se faz?

Nos últimos anos, a articulação entre as embaixadas e a AICEP
tinha já vindo a melhorar, sobretudo na Europa. No espaço europeu,
creio que a prática já se aproxima dos objetivos agora definidos
como prioritários. Em alguns casos, é, porém, difícil levar à
prática uma agenda quantificada, já que muitos dos negócios passam
à margem das embaixadas. Há claramente uma diferença entre aquilo
que são negócios no quadro europeu, com normas muito claras e
transparentes, e os que se passam fora do espaço comunitário, onde
há alguma margem para intervenção política. As embaixadas são
importantes na deteção dos projetos, no acompanhamento político
dos dossiers. Por isso, a articulação ICEP-MNE é cada vez mais
importante fora dos mercados tradicionais – países do Golfo, África,
América Latina -, onde algum apoio político pode ser vital para a
prossecução dos projetos. Há negócios que sem apoio político não
se fazem.

Antes de Paris, foi embaixador no Brasil, que se aproxima mais de
um modelo europeu (economia de mercado) ou estatal (fechada)?

O Brasil é uma economia de mercado, aberta. Embora haja fortes
empresas estatais, com controlo administrativo e político, a cultura
de mercado prevalece. Mas é um país marcado por algum
protecionismo, que cria problemas. Não é especificamente um
problema para Portugal, é para toda a UE.

Que problemas sentia no Brasil?

Muitas vezes, tive o problema de saber qual era a real capacidade
de oferta das empresas portuguesas. É importante que isso mude. Em
especial, em áreas que excedam os produtos tradicionais, com maior
valor acrescentado, com maior impacto na balança comercial. Uma
melhor comunicação entre as associações empresariais e a AICEP
será determinante.

O que precisa de mudar no MNE?

Temos de reforçar uma cultura diplomática business oriented e
julgo que é essa a determinante política que está instituída. Se
estamos a reduzir o número de embaixadas, temos de garantir que as
que estão no terreno se mobilizam ainda mais para objetivos claros.
As visitas ministeriais, as feiras, o estabelecimento de contactos
político-económicos regulares, a identificação de
interlocutores-chave em cada país são missões prioritária da
diplomacia moderna.

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