Ser mãe triplica desigualdade salarial de mulheres face a homens

Pais terão benefícios horários
Pais terão benefícios horários

As mulheres trabalhadoras portuguesas com pelo menos um filho ganham 24% menos face ao salário mediano dos homens nessa mesma condição. Nos casos em que não existem crianças, a diferença salarial continua a penalizar a mulher, mas muito menos: o diferencial é de 7% abaixo face rendimento mediano masculino, isto é, três vezes menos face à situação em que há pelo menos uma criança no agregado familiar.

De acordo com a OCDE, que hoje publicou o estudo “Terminar com a diferença de género: Agir agora”, mostra que o ‘gap’ salarial aumenta dramaticamente em todos os países quando as pessoas têm filhos, ou seja, as mulheres são altamente (e as únicas) penalizadas com a nova situação.

As mulheres portuguesas têm um salário mediano 7% inferior face ao ordenado mediano dos homens numa situação em que não há filhos, mas este valor até está em linha com a média da OCDE.

No entanto, quando se analisam os casos de pessoas com filhos, percebe-se que a desvantagem salarial das mulheres portuguesas face aos homens agrava-se e muito. A diferença não só é altamente penalizadora (mulheres mães ganham menos 24% do que os homens pais), como Portugal passa a ser o oitavo país com maior diferença no grupo de 31 Estados analisados pela OCDE. Na situação “sem crianças”, Portugal era o 16º país mais desigual.

A maternidade é mais penalizada em países como o Japão (mães ganham menos 61% do que os pais) e a Coreia (diferença penalizadora para as mulheres na ordem de 46% a menos no salário mediano).

Itália e Holanda são os casos menos problemáticos: as desvantagens salariais femininas são de 3% e 6%, respetivamente.

Os peritos da OCDE não têm dúvidas sobre o que está a acontecer: “as mulheres pagam um preço elevado pela maternidade, com custos exagerados nos cuidados infantis, disponibilidade ou acesso a equipamentos, e impostos que impedem muitas de trabalhar mais”.

Apesar dos ganhos das mulheres em educação, qualificação e do aumento na participação no mercado de trabalho, “mantém-se diferenças consideráveis nas horas trabalhadas, nas condições de emprego e nos ganhos”. Dito de outra forma, nos países ricos elas ganham pior, têm piores empregos e trabalham mais horas.

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