Rendimento Universal

Ser pago para não fazer nada? Existe e é um projeto de arte na Suécia

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Projeto sueco pretende colocar pessoas, que têm de 'picar' o ponto numa estação de comboios, a fazer tudo o que desejarem. O salário? 2022 euros.

Imagine: Para o resto da sua vida, não tem tarefas nem qualquer tipo de trabalho obrigatório. No entanto, tem um contrato que lhe paga um salário acima dos dois mil euros todos os meses. Pode ver filmes, ler livros, passear no parque, criar projetos criativos ou, apenas, dormir.

Na verdade, há apenas uma obrigação, tem de ‘picar’ o ponto numa estação de comboios Korsvägen, que está a ser construída em Gotemburgo, na Suécia. Tem de registar a chegada e a saída, o resto o tempo é seu para usar como quiser, inclusive fora da estação.

Como a posição (e o contrato) é permanente, pode ficar descansado para o resto da vida, já que não precisa nunca mais de arranjar emprego. Só precisa de escolher o que quer fazer com o tempo. O salário de 2022 euros não é estagnado, já que terá aumentos anuais, tempo para férias em que não precisa de ‘picar’ o ponto e uma pensão de reforma garantida.

Tudo isto é um projeto artístico financiado pelo governo sueco e coordenado por artistas suecos chamado Emprego Eterno – não se preocupe, se quiser abandonar o projeto pode fazê-lo a qualquer altura. Só se pode candidatar ao emprego de uma vida em 2025, quando a estação estiver perto de abrir (será inaugurada em 2026). Até ao momento ainda só há um esboço de anúncio do que é necessário. A descrição é clara: “qualquer coisa que o funcionário decida fazer constitui o seu trabalho”. Qualquer ser humano do planeta pode-se candidatar, já que a fundação criada para o projeto será “um empregador que promove igualdade”. E se um trabalhador pedir a reforma ou decidir sair, a fundação irá selecionar outro.

Por trás do projeto está o duo artístico sueco Simon Goldin e Jakob Senneby, que gostam de baralhar e voltar a dar projetos com base económica passados num mundo real, com formatos estranhos e novos. Além de apoio da Agência Pública de Arte Sueca, contam com ajuda do serviço de transportes sueco, num total de 577 mil euros.

Korsvägen será uma das três novas estações subterrâneas a serem construídas em Gotemburgo, a segunda maior cidade sueca, para aliviar o trânsito na cidade e ajudar a criar empregos. O projeto do duo artístico, além de ser um desafio sociológico curioso de acompanhar para quem aceite a missão e de ser um “ato de imaginação económica”, quer ajudar a tornar a estação bem mais do que um ponto de passagem e é uma resposta à forma como Gotemburgo está a mudar, com o crescimento da população. A terra natal da Volvo, tornou-se nos últimos anos num importante centro artístico e de entretenimento, depois de décadas como centro industrial.

Numa conversa com o site Atlas Obscura, os dois criadores explicam que o cargo eterno deverá prolongar-se por 120 anos, com vários funcionários, que será o tempo esperado de vida da estação. Embora não vejam este trabalho como uma visão do trabalho do futuro, esperam que possa ser um ponto de referência para esse mesmo futuro.

Os países nórdicos não são virgens em experiências económicas deste estilo. A Finlândia terminou recentemente uma experiência com resultados peculiares, que levou a que duas mil pessoas recebessem um salário mensal sem condições durante quatro anos – o chamado Rendimento Universal Garantido. Os resultados ditaram o fim do projeto antes de arrancar uma segunda fase.

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