Conferências do Estoril

Sérgio Moro: “Achei que serviria mais a causa do meu país dentro do governo”

Estoril Conferences 
Sérgio Moro
(Diana Quintela / Global Imagens)
Estoril Conferences Sérgio Moro (Diana Quintela / Global Imagens)

Dois anos depois de ter vindo ao Estoril enquanto “súper juiz”, Sérgio Moro voltou às Conferências como Ministro. Em 2017 era uma das grandes figuras do caso Lava Jato. Hoje, foi recebido no campus da Universidade Nova em Carcavelos por algumas dezenas de manifestantes, que protestavam contra o governo de Jair Bolsonaro. Ainda assim, Sérgio Moro não se arrepende de ter trocado os tribunais pela política.

“A corrupção acaba por impactar imagem da democracia. É preciso construir instituições fortes e a diminuição da impunidade faz parte da solução deste problema. O último número de condenados, com provas robustas, da Operação Lava Jato era 215. A minha escolha foi feita de forma clara. Achei que era uma oportunidade para assumir uma posição elevada, continuando a trabalhar na área da justiça e da segurança publica, e consolidar os avanços do Brasil na luta contra corrupção”, justificou o ministro brasileiro, que foi um dos oradores do segundo dia das Conferências do Estoril.

Falou no mesmo painel que Francisca Van Dunem, Ministra da Justiça, Joana Marques Vidal, ex-procuradora-geral da República, e Janine Lélis, Ministra da Justiça de Cabo Verde.

Protestos contra Sérgio Moro, à entrada do evento (Diana Quintela / Global Imagens)

Protestos contra Sérgio Moro, à entrada do evento
(Diana Quintela / Global Imagens)

Moro garantiu que aceitou o cargo no Governo de Bolsonaro após ponderar os riscos. “Naquele momento, achei que serviria mais a causa do meu país, o combate contra o crime violento e a criminalidade organizada, dentro do governo. Se estou sujeito a criticas? Sim. O futuro vai dizer se foi a decisão certa. Mas sinto-me confortável. É um caminho sem volta, não posso regressar à magistratura, por isso não foi tão fácil assim, abri mão de alguns benefícios”, contou.

No debate que girou em torno do tema da corrupção, Sérgio Moro manifestou-se satisfeito com a evolução do Brasil nos últimos cinco anos, sublinhando que a “doença” não pode ser combatida só com castigo, mas sobretudo com “prevenção”.

“A corrupção é um crime que envolve uma escolha racional, risco e oportunidades. Vários países têm problemas com a impunidade da grande corrupção porque ela envolve pessoas poderosas, o poder politico. E o sistema de justiça tem dificuldades em lidar com a corrupção porque foi feito para outro tipo de criminalidade. O combate à grande corrupção passa por diminuir a impunidade”, receitou.

O governante brasileiro lembrou que “as empresas estatais têm sido um foco de corrupção”, dando o exemplo da Petrobras. “Se diminuir a influência das ligações políticas às empresas, isso fará a diferença”.

Moro destacou ainda que no Brasil “havia um quadro de corrupção disseminado que afetava a produtividade da economia brasileira”, mas cujo efeito mais nocivo era a “corrosão da fé das pessoas no regime democrático”, o mesmo que “pressupõe que todos são iguais perante a lei e têm de ser punidos”. O responsável defendeu ainda o uso da delação premiada em casos de corrupção como uma “escolha necessária” quando está em causa “o interesse da justiça e das instituições”.

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